Justiça
'É muito injusto': diz mãe após réu por morte de estudante ser solto em Coxim
Letícia da Silva Camargo seguia para o estágio, quando foi atropelada pelo servidor Cleyton Matos Campos, em novembro do ano passado
A decisão da Justiça de Mato Grosso do Sul de colocar em liberdade o servidor Cleyton Matos Campos, acusado de atropelar e matar a estudante de enfermagem Letícia da Silva Camargo, de 25 anos, no ano passado, em Coxim, causou grande indignação e revolta na família e amigos da vítima, que cobram por justiça.
"É muito injusto uma pessoa matar, não ter carteira de habilitação, anda na contramão e não é réu primário. Já tem processo por tráfico de drogas e agora poder sair sobre fiança, isso deixa todo mundo indignado, não tem lei no Brasil", desabafou a mãe da vítima, Neliane Camargo, de 42 anos.
Cleyton recebeu a liberdade mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil e uso de tornozeleira eletrônica, conforme a decisão que consta no Diário Oficial da Justiça. Anteriormente, ele estava preso de maneira preventiva, mas agora, poderá responder o processo de homicídio em liberdade.
Ao JD1 Notícias, Neliane explicou que as pessoas que conheciam e tinham contato com Letícia estão unidas para tentar promover a justiça pela morte da jovem, que seguia para a faculdade no dia 12 de novembro de 2025.
Ela, inclusive, está como assistente de acusação no processo e entrou com recurso para reverter a decisão de soltura, mas teve o pedido negado pela juíza Larissa Luiz Ribeiro, sob argumento de que "as razões deduzidas pela embargante revelam, na realidade, mero inconformismo com o conteúdo da decisão, buscando rediscutir o acerto da fundamentação adotada e obter a sua reforma, providência incompatível com a via estreita dos embargos de declaração".
Para a reportagem, Neliane diz que o sentimento é de revolta e tristeza. "É muito revoltante porque minha filha estava apenas andando para poder ir para o estágio, andando na mão dela", disse. E acrescentou dizendo que Cleyton "vai estar livre como se nada tivesse acontecido".
"É muita injustiça, hoje você mata uma pessoa e você pode viver livremente mesmo você tendo um sério crime nas costas por tráfico de drogas. O homem tem esse processo lindo nas costas dele e vai ficar em liberdade, isso eu acho uma injustiça e eu quero justiça pela Letícia".
A mãe da vítima ainda informou para a reportagem que a mobilização nas redes sociais está grande, mas afirmou que "se for possível, vamos para a rua fazer barulho", destacando que querem justiça pela morte de Letícia Camargo.