Tribunal do Júri
"Aff, pior que não": acusado de atirar na ex diz que não queria matar e que agiu 'no impulso'
Marcos Antônio de Souza Vieira admitiu os disparos, negou que tenha planejado matar a vítima e afirmou que a amava
"Aff, pior que não." A frase foi dita por Marcos Antônio de Souza Vieira, de 59 anos, ao ser questionado pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos se havia atirado na ex-companheira com a intenção de matá-la. O réu é julgado nesta quarta-feira (10), no Tribunal do Júri de Campo Grande, pela tentativa de feminicídio ocorrida em 29 de maio de 2025.
Durante o interrogatório, Marcos admitiu ter efetuado os disparos contra a vítima e afirmou que não tinha como negar os fatos registrados pelas câmeras.
"No impulso, no ato das coisas, eu admito, doutor, porque não tem como mentir, isso está gravado, então não tenho nenhuma omissão de falar", declarou ao responder ao magistrado.
Questionado sobre quantos tiros teria disparado contra a ex-companheira, respondeu, "Eu lembro que foi quatro." Ao falar sobre a acusação, Marcos negou que tenha premeditado o crime. Segundo ele, não saiu de casa com a intenção de matar a vítima.
"Se eu falar para o senhor que eu previ ou que eu falei que eu ia matar alguma coisa, eu vou estar mentindo para o senhor... eu amava e muito era ela. Então, ali foi um impulso", afirmou.
O acusado também negou ter sequestrado a vítima ou obrigado-a a permanecer dentro do carro. "Então, em momento algum, eu peguei a pistola e ameacei ela e coloquei nela. Ela pode até se sentir ameaçada, porque a pistola estava no meu colo. Mas eu não encostei a pistola nela em lugar nenhum, em momento algum."
Durante o interrogatório, Marcos ainda negou ter desobedecido uma ordem da Polícia Militar quando foi preso enquanto dirigia o veículo após o crime.
A promotora de Justiça questionou o acusado sobre a declaração dada após a prisão, quando afirmou que pretendia tirar a própria vida. Ao responder ao questionamento, Marcos reafirmou a versão.
"Era eu mesmo, o pensamento era conversar com ela (vítima), e eu iria atirar em mim mesmo, não ia atirar nela, eu amo essa mulher."
Julgamento
A sessão é presidida pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. O desfecho do caso, seja por condenação, desclassificação ou absolvição, caberá ao Conselho de Sentença, observadas as regras do rito do Tribunal do Júri.
Vídeo mostra o crime:
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