Tribunal do Júri
Júri desclassifica feminicídio e condena homem por homicídio culposo em Campo Grande
O advogado do réu afirmou que a pena deve ser cumprida em regime aberto e classificou o caso envolvendo a morte de Jussara Gimenez Pereira dos Santos como uma tragédia e acidente
Os jurados acataram a tese da defesa e não condenaram Alfredo Netto pela morte de sua esposa, Jussara Gimenez Pereira dos Santos, de 60 anos, ocorrida em 26 de setembro de 2024, em Campo Grande. O caso envolve a morte da vítima por disparo de arma de fogo.
O julgamento foi realizado nesta terça-feira (16), na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em processo que tramita sob sigilo. O réu respondia por homicídio qualificado pelo feminicídio, porém o Conselho de Sentença decidiu acolher a versão apresentada pela defesa e desclassificar a acusação para homicídio culposo, afastando a tese de intenção de matar.
Após o resultado, o advogado de defesa Ivan Hildebrand Romero afirmou ao JD1 Notícias que o desfecho confirmou a tese apresentada em plenário, “Foi acolhida a tese de homicídio culposo (acidente). Afastando o feminicídio. A pena foi justa, pois condenou em homicídio culposo. Diante da tragédia familiar, o resultado foi o melhor para todos”, declarou.
O advogado também destacou que, com o reconhecimento de homicídio culposo e a pena aplicada, não haveria possibilidade de cumprimento em regime fechado, segundo sua avaliação sobre o resultado do julgamento.
(*) Observação: o JD1 Notícias não conseguiu acompanhar o julgamento no plenário, pois não foi autorizada a entrada da reportagem por determinação do juiz presidente.
Defesa vinha sustentando tese de acidente
Durante a investigação policial, Alfredo Netto negou ter efetuado o disparo contra a esposa. Em seu primeiro relato, afirmou que havia dito à vítima que pretendia tirar a própria vida e que, ao tentar impedi-lo, ela puxou uma almofada onde a arma estava guardada, momento em que teria ocorrido o disparo acidental. Ele também negou que tenha havido discussão entre os dois na data dos fatos.
Posteriormente, durante interrogatório judicial, o acusado manteve a negativa de autoria, mas apresentou uma nova versão. Segundo declarou, Jussara questionou o motivo de ele estar com uma arma. Ao tentar pegar o objeto que estava no console do veículo, a vítima teria se antecipado, apanhado a arma e o disparo teria ocorrido acidentalmente contra ela mesma.
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