O pintado, um dos peixes mais emblemáticos do Pantanal, passou a integrar uma lista internacional de alerta sobre espécies migratórias vulneráveis. A inclusão pela Organização das Nações Unidas (ONU) chama atenção para os impactos que ameaçam a sobrevivência do peixe, como alterações nos rios, perda de habitat e redução das áreas de reprodução.

O levantamento foi divulgado com base em estudos de conservação que apontam uma queda significativa nas populações da espécie. Conforme o G1, uma avaliação de risco do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) indica que o pintado já perdeu cerca de 30% da população em 45 anos.

Conhecido por percorrer longas distâncias durante o ciclo reprodutivo, o peixe depende da conexão entre rios e áreas alagadas para completar sua reprodução. Segundo especialistas, problemas como barragens, assoreamento e mudanças no volume de água dificultam esse processo.

“O que realmente provoca danos na comunidade de peixes em geral são barramentos, poluição e hoje está sofrendo muito assoreamento. Os nossos rios estão cada vez mais rasos”, afirmou o biólogo Claumir César Muniz.

No Pantanal, a espécie ainda encontra um ambiente mais favorável por causa da extensa área de inundação, mas pesquisadores alertam que a preservação dos rios é fundamental para garantir a continuidade do ciclo natural do pintado.

Em Mato Grosso, a captura e comercialização do peixe estão proibidas por uma legislação estadual que restringe a pesca de 12 espécies. A medida busca diminuir a pressão sobre os estoques naturais e permitir a recuperação das populações.

Mesmo fora da pesca extrativa, o pintado continua sendo um dos grandes símbolos da gastronomia regional. Criado em cativeiro, o peixe segue presente em pratos tradicionais, como a famosa peixada cuiabana.