PESQUISA E INOVAÇÃO
Pesquisa da UFMS transforma casca de bocaiúva em ingrediente para cosméticos
Projeto desenvolvido em Campo Grande aproveita resíduo do fruto para criar formulação com ação antioxidante e partículas esfoliantes naturais
O que normalmente seria descartado após o processamento da bocaiúva pode ganhar uma nova utilidade. Pesquisadores da UFMS transformaram a casca do fruto em matéria-prima para uma formulação cosmética que combina extrato antioxidante e partículas esfoliantes naturais. O projeto conquistou o primeiro lugar no Desafio de Inovação Pantanal Tech 2026.
O Acrodermo foi desenvolvido no Laboratório de Purificação de Proteínas e suas Funções Biológicas (LPPFB), da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição (Facfan), pela professora Maria Lígia Rodrigues Macedo, pelo pesquisador Lucas Rannier Melo de Andrade e pelo doutorando Antolim Penha Martinez Junior.
A pesquisa surgiu a partir de uma pergunta: por que aproveitar apenas parte da bocaiúva se a casca, normalmente descartada, também pode ter valor? A equipe desenvolveu um processo que permite retirar da casca um extrato antioxidante e, depois, reaproveitar o material sólido como partículas esfoliantes.
“A proposta passou a ser aproveitar praticamente toda a matéria-prima, transformando o que seria lixo em um ativo cosmético de maior valor agregado”, explica Maria Lígia.
Os testes realizados em laboratório indicaram atividade antioxidante, potencial anti-inflamatório e segurança nas concentrações avaliadas em modelos celulares. A equipe também desenvolveu os primeiros protótipos incorporando os dois componentes obtidos da mesma casca.
“É uma matéria-prima que rende duas funções cosméticas a partir do mesmo resíduo: o extrato antioxidante e a partícula esfoliante”, destaca Antolim.
Além de reduzir o descarte, o aproveitamento da casca segue princípios da economia circular e pode agregar valor à cadeia produtiva da bocaiúva em Mato Grosso do Sul. O laboratório também mantém diálogo com pequenos produtores e cooperativas que trabalham com o fruto.
Para os pesquisadores, a proposta mostra que a biodiversidade regional pode gerar novas tecnologias e oportunidades para o setor produtivo.
“Isso mostra que a pesquisa feita dentro do laboratório pode ultrapassar os limites da bancada e virar produto, processo, solução, algo que conversa com o que a sociedade e o mercado precisam”, afirma Antolim.
O Acrodermo ainda está em fase de validação laboratorial. A equipe trabalha no aprimoramento da formulação e em novos estudos de estabilidade, segurança e eficácia antes de avançar para uma possível produção em escala.
A expectativa é preparar a tecnologia para uma futura transferência ao setor produtivo, incluindo a possibilidade de licenciamento para empresas da área de cosméticos.