Polícia
Vídeo - Mulher comemora e homem se mostra orgulhoso pela morte de animal ameaçado de extinção
Três onças pintadas aparecem abatidas na carroceria de caminhonete
Após vídeo viralizar nas redes sociais, "matador de onça" está sendo localizado pela Polícia Civil. O vídeo mostra uma mulher comemorando que o homem, o qual ela chama de "Carrapicho", chegou com três onças pintadas mortas na carroceria da caminhonete.
Conforme apurado pela Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, é muito provável que não tenha ocorrido aqui no estado. De acordo com o tenente-coronel Queiroz, após tomar conhecimento do vídeo, policiais começaram a investigar em grupos policiais e alguns da imprensa, sobre alguma informação que pudesse ser útil.
"Uma jornalista me disse que o homem já foi identificado e o delegado está na procura do homem. Não é informação oficial, mas me parece que é isso. A jornalista até me passou o contato do delegado, mas como é bem provável que tenha acontecido na área rural do município de Água Boa, em Mato Grosso, não tem muito o que a gente fazer. O município de lá é quem fica responsável pelos procedimentos cabíveis", informou Queiroz.
Vídeo mostra mulher comemorando e homem orgulhoso pela morte de três onças pic.twitter.com/bgcOzFkixM
— JD1noticias.com (@jd1noticias_com) November 13, 2019
No Brasil, matar qualquer animal silvestre é crime ambiental com pena de seis meses a um ano de detenção, além de multa de até R$ 5 mil. No entanto, a lei abre exceção aos casos de legítima defesa comprovada. Durante a filmagem, a mulher que grava dá os parabéns para o caçador e comenta que os animais estariam comendo parte do gado da propriedade rural. O caçador comenta que as onças estavam agrupadas e foram mortas enquanto estavam em uma árvore.
Ameaçado de extinção, animal ataca rebanhos e preocupa produtores. Com o avanço da ocupação de reservas ambientais e a menor oferta de alimentos nas florestas, o número de casos de onças em lavouras e pastagem vem aumentando ano a ano no país e tem preocupado tanto produtores rurais quanto ambientalistas. Além dos prejuízos econômicos dos ataques dos felinos às cabeças de gado, a polícia ambiental teme que os agricultores possam maltratar o animal, que corre risco de extinção e é protegido por lei.
“Salvar essa espécie da extinção é um dever de toda a sociedade, cabendo aos proprietários de terras a liderança na tomada de decisões que determinarão o êxito ou o fracasso dessa empreitada que envolve e será igualmente apreciada pelas futuras gerações”, diz a Ong Onça Pintada. Dados do Instituto apontam que a onça-pintada já foi extinta em mais de 50% de sua distribuição geográfica original e que, atualmente, a presença do felino se restringe a países da América Central e do Sul – até o norte da Argentina. A espécie é considerada extinta em El Salvador e no Uruguai. Aproximadamente metade da distribuição atual da onça-pintada, 48%, encontra-se no território brasileiro, o que faz do Brasil um país extremamente importante para garantir a conservação da espécie no longo prazo.
A polícia ambiental orienta que assim que os agricultores entrarem em contato ou avistarem o felino entrem em contato com os órgãos ambientais do Estado imediatamente para que medidas de preservação sejam tomadas. No Brasil, somente a caça de javalis é permitida por meio da Instrução Normativa Nº 12, de 25 de março de 2019 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Para a caça do animal é necessário o cumprimento de uma série de regras e que seja para fins de controle de danos à saúde pública. A população elevada de javalis tem causado danos à fauna e à flora, desencadeiam o assoreamento de corpos d’água e processos de erosão do solo, além de representarem um grave risco sanitário para a atividade pecuária.