Desabafo
Tia de travesti morta a tiros diz sentir alívio após prisão de acusado em Campo Grande
Familiar de Nathalia dos Anjos Molin afirmou que a soltura em audiência de custódia revoltou a família e disse esperar Justiça pelo caso
Irene Vieira dos Anjos, de 63 anos, tia da travesti Nathalia dos Anjos Molin, de 33 anos, assassinada junto com o marido, Ademar Spacino Junior, de 38 anos, comentou sobre a prisão de Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, acusado pelo crime ocorrido no bairro Taquarussu, em Campo Grande. O caso aconteceu no dia 6 de junho deste ano.
O suspeito foi capturado nesta terça-feira (21) por policiais civis do Grupo de Operações e Investigações (GOI), da Polícia Civil. Irene esteve no Centro Especializado de Polícia Integrada (Cepol), acompanhada do advogado que representa a família como assistente de acusação, durante o cumprimento da prisão.
À imprensa, Irene afirmou sentir alívio ao ver o acusado preso. Segundo ela, Deivison havia sido solto em audiência de custódia, o que gerou revolta na família. A decisão foi revista pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, que determinou a prisão do acusado.
“Hoje estamos felizes, porque a pessoa mata por detrás, dá tiro nas costas e acha que no mesmo dia ela vai estar solta. Que lei é essa que nós temos? Mas nós tivemos que procurar o advogado para procurar a Justiça e conseguimos”, disse.
A tia de Nathalia também afirmou que o sobrinho era querido e não andava armado. Segundo ela, Deivison ameaçava a vítima. “Ele era meu sobrinho, era querido, ele não andava armado, ele tinha suas coisas, mas esse rapaz também ameaçava muito o meu sobrinho. Sempre ele estava ameaçando ali para querer matar”, declarou.
Irene ainda afirmou que pode ter ocorrido crime de ódio no caso. Segundo ela, o acusado não gostava de pessoas LGBTQIA+ ou poderia ter algum outro tipo de sentimento pela vítima.
“Esse rapaz não gostava de gay... Ou ele era apaixonado por ele, eu não entendia isso, porque para chegar nesse ponto, matar uma pessoa desarmada, chegar e dar três tiros nas costas dele e matar o outro dentro de casa”, afirmou. “Nós queremos justiça. Justiça é o que mais nós queremos”, completou.
Segundo Irene, ela acredita que o acusado poderia ter sido movido por paixão ou ódio contra Nathalia. “Então eu creio que esse homem sempre foi apaixonado ou ele tinha ódio do meu sobrinho, porque ele era um trans, mas ele parecia uma mulher, bem bonita, e sempre estava ali ajudando a mãe dele”, disse.
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