Polícia
Mulher é presa suspeita de integrar esquema de extorsão contra clientes de site de acompanhantes
Investigação aponta que suspeita atuava na movimentação dos valores obtidos por meio de ameaças e teria recrutado pessoas para fornecer contas bancárias
Uma mulher foi presa nesta terça-feira (15), em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande, suspeita de atuar como operadora financeira de uma quadrilha que se passa por integrantes de facções criminosas para extorquir clientes de sites de acompanhantes.
Nos últimos meses, dezenas de homens procuraram as delegacias de Dourados para denunciar que foram vítimas do golpe após entrarem em contato com perfis de garotas de programa anunciados na plataforma HotMS. Segundo os relatos, depois do contato, as vítimas recebiam ameaças de supostos integrantes de organizações criminosas, que diziam ter ocorrido prejuízo às acompanhantes ou ao suposto cafetão responsável pelos anúncios. Os criminosos ameaçavam expor os clientes para familiares e exigiam pagamentos via Pix.
A prática é investigada pela Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos) como o chamado “Golpe do Falso Cafetão Faccionado”. Para aumentar o temor das vítimas, os suspeitos utilizavam os nomes do Comando Vermelho e do PCC (Primeiro Comando da Capital) durante as ameaças. As investigações identificaram indícios de que contas bancárias de terceiros eram usadas para receber e posteriormente movimentar o dinheiro obtido nas extorsões.
O mandado de prisão temporária contra L.R.V. foi cumprido por policiais da Derf. Conforme a investigação, ela teria participação na estrutura financeira do esquema, inclusive no recrutamento de pessoas dispostas a disponibilizar contas bancárias para receber os valores das vítimas. A polícia também apura a possível participação de uma pessoa que está presa no sistema penitenciário, mas ainda não foi identificada.
A Derf informou ainda que a plataforma HotMS aparece com frequência como ponto inicial de contato com as vítimas e que tentou, por mais de uma vez, obter esclarecimentos e colaboração do canal administrativo do site para entender como os criminosos teriam acesso às informações dos usuários. Segundo a Polícia Civil, as solicitações foram ignoradas até o momento.
Os investigadores orientam que pessoas que receberem mensagens ameaçadoras não façam pagamentos e procurem imediatamente a polícia, mesmo quando os autores afirmarem pertencer a facções criminosas ou se apresentarem como cafetões.