O Ministério Público Federal (MPF) investiga denúncias de ameaças e intimidações contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após as eleições presidenciais de 2026. Em Tacuru, o órgão cobrou explicações da prefeitura sobre áudios com ameaças, incluindo uma fala sobre envenenar a água consumida pelos indígenas, e recomendou medidas administrativas caso sejam identificados indícios de envolvimento de servidores municipais.

Segundo o MPF, a prefeitura recebeu prazo de 48 horas para informar quais providências foram adotadas para apurar a autoria e a autenticidade das gravações e garantir a segurança e a continuidade dos serviços públicos prestados às comunidades. O órgão recomendou ainda a abertura de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar de servidores, caso as investigações apontem indícios consistentes de participação nas ameaças.

O caso faz parte de um conjunto de denúncias encaminhadas por organizações indígenas a órgãos federais. Em reportagem publicada nesta quinta-feira (29), a Agência Brasil informou que a Polícia Federal investiga relatos de violência contra indígenas Guarani Kaiowá, incluindo tentativas de assassinato e um suposto atropelamento intencional em Coronel Sapucaia. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também relatou que ao menos cinco casos de assassinatos na região, desde sábado (24), estavam sob investigação. As denúncias ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.

Em Naviraí, investigação descartou ataque político ou étnico

Em outra frente, o MPF apurou denúncias de supostos homicídios contra indígenas em Naviraí e concluiu que o caso que circulava nas redes sociais não tinha relação com motivação política ou étnica. Lideranças das comunidades Kurupi e Mboreviry negaram ataques contra seus integrantes.

De acordo com as informações reunidas pelo órgão, o episódio registrado na cidade foi uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar e interpessoal. Imagens do crime teriam sido divulgadas na internet de forma adulterada e fora de contexto, sendo associadas falsamente a um ataque contra indígenas.

A apuração do MPF incluiu consultas às lideranças e a órgãos públicos, além da análise de documentos. O órgão também solicitou informações à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) para complementar a verificação dos registros.

As investigações ocorrem em meio a relatos de intimidação contra comunidades indígenas no sul do Estado. Conforme a Agência Brasil, organizações indígenas afirmaram que houve circulação de veículos em territórios e episódios de agressão com o objetivo de intimidar moradores durante o período eleitoral. A apuração dos diferentes casos segue sob responsabilidade dos órgãos competentes.