A criação da CPI para investigar o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) voltou a ser tema de discussão e debate na Assembleia na quarta-feira (9). A deputada Mara Caseiro (PT do B) defendeu a criação da comissão e pediu que o presidente definisse o quanto antes a questão. O requerimento para instalação do colegiado foi apresentado dia 1º. Segundo Mara, o pedido atende aos três requisitos para ser criado: o tempo de duração dos trabalhos (120 dias), as 8 assinaturas de apoio (há 10) e um fato determinado (apurar a responsabilidade do Cimi na incitação e financiamento das invasões feitas por indígenas).

Indignada com a demora em se autorizar a CPI, ela fez um apelo à Mesa Diretora “para que possamos investigar a atuação do Cimi. Não é possível que vamos ver esses conflitos mais uma vez e ficar por isso mesmo. Recebi documentos que denunciam a atuação do Cimi nessas invasões. Só queremos investigar e descobrir a verdade. O que não pode é um produtor, que tem comprovantes para mostrar que tal propriedade é dele, a ver invadida por índios e nada ser feito, ainda mais, nós, parlamentares”.

 

Mara mostrou vídeos de conflitos, com falas de índios dizendo que o Cimi incentiva as invasões. “Não vou identificar as pessoas porque já estão sofrendo ameaças de mortes para não prestarem depoimentos na CPI. A situação é muito tensa e temos que saber se isso de fato é verdade”, disparou. Zé Teixeira (DEM) e Onevan de Matos (PSDB) apoiaram a comissão. Sabemos que o Cimi tem o papel de ajudar os índios, mas temos de saber o que está por trás de tanta desordem”, disse Teixeira.

Também assinam o requerimento George Takimoto (PDT), Paulo Corrêa (PR), Eduardo Rocha (PMDB), Marcio Fernandes (PTdoB), Maurício Picarelli (PMDB), Lídio Lopes (PEN), Ângelo Guerreiro (PSDB) e Beto Pereira (PDT), além de Mara.  A bancada do PT demonstrou descontentamento com a fala da deputada. Durante o pronunciamento de Mara, o líder do PT, Pedro Kemp (PT), mostrou-se indignado a ponto de bater na mesa e dar aplausos irônicos, além de esbravejar como os colegas da bancada.