Política
Em clima de despedida, Câmara encerra legislatura mais “difícil” da história da Capital
Sessão durou quase quatro horas e relembrou "tempos difíceis"
Uma legislatura que teve várias sessões extraordinárias, cassação de prefeito, afastamento de vereadores, mudança de mesa diretora e operações policiais que marcaram a história política de Campo Grande, a Câmara Municipal encerrou hoje as sessões.
Na sessão de “despedida” um protesto dos empresários e motoristas de caçambas da Capital usaram a tribuna para levar as reivindicações da categoria e os apartes foram feitos já para falar sobre a situação com que a Capital encerra o ano. Vereadores como Mario Cesar (PMDB), Carla Stephanini (PMDB), Roberto Durães (PSC), Coringa (PSD) e Chocolate (PTB) usaram a tribuna para se despedir, com discursos emocionados.
“Só foi possível desempenhar essa tarefa porque estivemos juntos”, disse João Rocha às lágrimas, após contabilizar os números de atendimentos realizados pela Casa. “Não tivemos respeito por parte do Executivo, mas é uma página virada”, afirmou. “É para frente que se anda, vamos seguir o fluxo”, despediu-se.
Parlamentares enfrentaram momentos de tensão e “rodízio” de colegas
Desde o dia da posse em 1 de janeiro de 2013 a Casa de Leis já teve o tom do que iria ser os próximos quatro anos de um relacionamento conturbado entre o Executivo e o Legislativo, o que se confirmou ao longo do tempo com CPIs instauradas para investigar irregularidades cometidas pelo então prefeito Alcides Bernal (PP).
Bernal nunca fez questão de estreitas os laços com os vereadores, e sempre deixava claro que não precisaria deles para governar. Em situações que beiravam o insustentável, em especial para a população que começou a sentir os reflexos da falta de diálogo entre a Câmara e o Prefeito, já no final de 2013 a cassação do prefeito começou a ser discutida.
E entre “guerra de liminares, com sessões extraordinárias lotadas e “guerra” entre as “torcidas” de um lado e do outro. Campo Grande então virou palco de uma disputa de dois poderes, que em tese deveriam ser unidos.
A sessão mais histórica que começou em 26 de dezembro de 2013, teve seu desfecho somente em 12, quase 13 de março de 2014 quando Bernal teve o mandato cassado e Gilmar Olarte (PP) assumiu o cargo, com direito a sessão pregando união, secretariado anunciado, discursos e abraços. E quando tudo parecia caminhar para uma “devida normalidade” em 25 de agosto de 2015, um dia antes do aniversário da Capital, a cidade amanheceu com a operação Coffee Break, comandada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), viu o então presidente Mario Cesar ser afastado do cargo, Olarte idem e “quatro prefeitos” em um dia.
O vice-presidente Flávio Cesar (PSDB) então assumiu o cargo, situação que perdurou até outubro daquele ano, quando finalmente após renunciar ao cargo de presidente Mario Cesar pode voltar as atividades legislativas e uma eleição de consenso levou João Rocha (PSDB) para a presidência. A mudança da mesa diretora ocorreu também, devido ao rodízio de colegas. Seja por motivos de eleições, cassação de mandato ou mesmo renúncia.
Um dos casos que mais chocou a sociedade foi de Alceu Bueno, então no PSL. Eleito com os votos da igreja viu seu nome envolvido em um escândalo sexual e renunciou ao cargo. Ele morreu assassinado neste ano. Além de Alceu também saíram do cargo Elizeu Dionízio e Zeca do PT que foram para a Câmara Federal, Rose Modesto que virou vice-governadora, além da cassação de Delei Pinheiro e Thais Helena, além de Paulo Pedra.
Vieram então para a Câmara, Betinho, Francisco Luiz Saci, Alex do PT, Livio Leite e Roberto Durães. E todos os dias era a tensão de saber o que estava porvir.
A Câmara, chamada de “caixa de ressonância” pelos parlamentares, palco de cartazes, de gritos, palmas, vaias e tantos sentimentos confusos e difusos, despediu-se hoje, trazendo para a próxima legislatura uma renovação de quase 80% dos nomes, um novo prefeito e a certeza de que a casa, tem que ser do povo. E os trabalhos já reiniciam no dia 1 de janeiro de 2017 com a primeira sessão extraordinária para eleger a nova mesa diretora e atender outros pedidos do prefeito eleito e diplomado Marquinhos Trad (PSD).