O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, disse que o ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello será convocado novamente para prestar depoimento. Para Aziz, Pazuello estava protegido pelo habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aproveitou para “mentir” sem o risco de ser preso.

“Ele estava com um habeas corpus debaixo do braço, que permitia que falasse o que quisesse. Por isso, está sendo reconvocado. Vai ser reconvocado quarta-feira (26) e a gente espera que possa trabalhar sem a ingerência do Supremo (Tribunal Federal) nessa questão. Até porque, se o ministro (Ricardo) Lewandowski assistiu, ele vai dizer: ‘Não posso dar um habeas corpus de novo para o cara mentir’”, pontuou o senador, em live com o grupo jurídico Prerrogativas, neste sábado (22).

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, concedeu habeas corpus a Pazuello dias antes do depoimento. Com isso, o militar recebeu o direito de ficar em silêncio na CPI da Covid, sempre que entendesse que as perguntas pudessem induzi-lo ao risco de produzir provas contra si.

Nas mais 16 horas de depoimento, Pazuello mentiu ou se contradisse em pelo menos 14 vezes. O ex-ministro falou à CPI ao longo de dois dias, na quarta (19) e quinta-feira (20).

Em reação, o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sugeriu que a CPI contrate um serviço de checagem de dados para municiar os parlamentares com informações em tempo real, durante as falas dos depoentes.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou, na sexta-feira (21), um requerimento para reconvocar Pazuello. Para que o novo depoimento ocorra, o documento deve ser votado pelos integrantes da CPI, possivelmente na quarta-feira, conforme sinalização do presidente do colegiado.

Vieira alegou que o primeiro depoimento do general foi permeado por diversas contradições. O senador também defendeu a necessidade de “esclarecer as dubiedades do depoimento de Pazuello”.