Vários manifestantes pedindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reúnem na manhã deste sábado (3)no Centro de Campo Grande, desde às 9h. A concentração antes do ato ocorreu na Praça do Rádio, que contou com um pouco mais de mil pessoas que fazem parte dos movimentos sindicais, indígenas, partidários e independentes.

Organizações sociais como CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e UNE (União Nacional dos Estudantes) estão presentes. Partidos como PT e PCO também são representados em bandeiras.

Os manifestantes empunham faixas e cartazes em levante contra omissões e práticas do governo de Jair Bolsonaro, com frases como “A Ciência vence o mito” e “Fora genocida”. Foi distribuida máscaras de proteção para quem estava no local.

A passeata iniciou na Praça do Rádio pela Avenida Afonso Pena, seguiu até a Rua 14 de Julho e voltou pela Rua Barão do Rio Branco, até retornar à praça. Pelo menos duas quadras foram ocupadas com manifestantes, que seguiam um trio elétrico, com faixas e cartazes.

Houve três princípios de confusão registrados na manifestação pacífica, um homem que não foi identificado, passou pela calçada da rua 14 de Julho, xingando e ofendendo os manifestantes, dizendo: "vagabundos, vão trabalhar", em um momento ele pegou a carteira nas mãos e disse "vou esconder, se não vou ser roubado", ele seguiu em direção a Avenida Afonso Pena, muito exaltado. Algumas pessoas que estavam no ato contra o presidente Bolsonaro, xingaram e mostram o dedo do meio para o homem.

O segundo princípio de confusão, foi quando dois homens, um identificado como Rodrigo Lins, começou a xingar e ofender os manifestante no cruzamento da Rua 14 de Julho com a Barão do Rio Branco, "Bolsonaro defende o país, Lula é corrupto, PT nunca mais", questionado ele efatizou "somos contra, porque Lula deveria estar na cadeia, e o Bolsonaro é um politico honesto", ele fala ainda que "prefeito e governador (sem citar nomes) roubaram dinheiro do povo e com isso a culpa é dos politicos e não do presidente", finalizou.

O terceiro pricípio de confusão ocorreu no cruzamento da Rua Barão do Rio Branco com a 13 de Julho, quando um motorista enfurecido, desceu do seu veículo e veio ofender os manifestantes que interditaram a rua por alguns minutos. A Polícia fez o bloqueio de todas as ruas, mas neste cruzamento, os militares não estavam e os condutores ficaram mais exaltados, mas um policial chegou pouco tempo depois e os ânimos foram controlados.

A Coordenadora do Sindicato dos Técnicos Administrativos em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Cleo Gomes, disse ao JD1 Noticias que a manifestação foi antecipada devido ao indicios de corrupção no governo federal, "diante das denúncias de corrupção, não só na questão da negociação da Covaxin, mas a cada cinco mortes, quatro poderiam ter sido evitada se o governo tivesse aceitado as propostas de vacina em dezembro, porque se tivesse comprado as vacinas, hoje não estariamos com mais de 500 mil mortes", disse.

Otoniel Terena, de 39 anos, liderança indígena, chegou com um grupo da Aldeia Córrego do Meio, de Sidrolândia, para participar da manifestação.

“É um retrocesso o que essa PL [Projeto de Lei] 490 que esta sendo praticamente case aprovada, ela tira todos os direitos da demarcação de terra que é um principal meio onde nós vivemos, esse é a nossa preocupação porque vivemos da terra, é dali que tiramos nosso sustento", disse 

O PL 490, em trâmite na Câmara dos Deputados, prevê que só poderão ser demarcadas terras indígenas que estavam ocupadas pelos povos nativos quando da promulgação da Constituição de 1988. A tese ignora expulsões, por exemplo.    

Sem fazer parte da manifestação o jovem Alisson Amaral da Silva, de 24 anos, falou que "o ato é totalmente necessário, principalmente aqui no centro da cidade, pois vai dividir as pessoas para o lado certo", ele ainda disse que espera que aconteça o impeachment, mas não acredita que ira acontecer.

A vereadora Camila Jara (PT), afirmou "esse governo não tem condições de trazer para o país, um planejamento e projeto político que o Brasil precisa", ela disse ainda "a população não está sozinha, e que a gente não vai mais aceitar por parte do Governo Federal o descaso nas questões sociais, e principalmente o descaso com a vida humana", falou.

O ato de hoje é para pressionar o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) a aceitar pedido de impeachment de Bolsonaro. No próximo dia 24 deste mês, outro ató está marcado para acontecer em todo o país.