Tido como um dos pilares do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul, o deputado federal Loester Trutis (PL-MS) tornou-se, nesta terça-feira (16), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por forjar um atentado contra sua pessoa.

Os ministros do STF decidiram, por unanimidade, tornar o sul-mato-grossense réu durante plenário virtual realizado na manhã de hoje.

A ministra Rosa Weber, ao analisar o caso, afirmou que existem indícios que o deputado utilizou do atentado como uma forma de promover pautas de seu interesse.

“Constam indícios que amparam a hipótese de que os investigados teriam agido com a finalidade de capitalizar politicamente o parlamentar e promover pautas de interesse de seu mandato”, diz um dos trechos da decisão da ministra.

Agora Trutis deve responder por comunicação falsa de crime, porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo.

A resposta de Trutis

Ainda na tarde desta terça-feira (16), o Deputado Federal afirmou que recebe com tranquilidade a decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal e que esta será a "grande" oportunidade que ele terá para se defender. Veja a nota: 

"Recebo com tranquilidade a decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. É a primeira grande oportunidade que terei para me defender. 

É importante esclarecer que a aceitação da denúncia está muito distante de significar qualquer comprovação de culpa. Ao contrário, é o início da nossa defesa. Temos plena confiança na Justiça, a qual acreditamos que atuará sem qualquer tipo de ativismo, para que os fatos sejam realmente esclarecidos. 

Sustentamos e provaremos que o delegado responsável pelo inquérito tentou induzir os ministros a erro, e impossibilitou a ampla defesa ao inviabilizar a produção de provas, tendo liberado o veículo e permitido a formatação do GPS, fazendo assim, com que informações importantes sobre o incidente se perdessem, o que inviabiliza qualquer forma de escrutínio.  

A própria ministra Rosa Weber, relatora do processo, afirma que as provas produzidas até agora “dão suporte à narrativa da denúncia”, e que agora, “em ambiente contraditório e em paridade de armas”, elas poderão ser confrontadas com as provas e argumentações defensivas que apresentaremos. 

Continuo firme com os propósitos do meu mandato de deputado federal, como o parlamentar que mais trouxe recursos para a segurança pública de Mato Grosso do Sul, e que não tem medo de enfrentar criminosos."

 

Entenda o caso

Em fevereiro de 2020, o deputado disse ter sido vítima de uma emboscada na BR-060, entre Sidrolândia e Campo Grande, e que seu carro foi alvejado por vários tiros e que ele revidou, mas a Polícia Federal (PF) contestou a versão dos fatos apresentada pelo deputado e afirmou que não houve atentado.

Após isso, a Procuradoria Geral da República (PGR) abriu uma denúncia contra Trutis por comunicação falsa de crime, porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo.

 

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