Política
Governo Lula teme novas sanções dos EUA com julgamento de Bolsonaro no STF
Brasil deu início a processo para aplicar Lei de Reciprocidade e ter respaldo legal em caso de agravamento da crise
Às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a possibilidade de os Estados Unidos imporem novas sanções ao Brasil, caso haja condenação no processo que investiga o plano de tentativa de golpe de Estado.
O julgamento está previsto para começar na terça-feira (2), às 8h (horário de Mato Grosso do Sul), na Primeira Turma do STF, e envolve Bolsonaro e outros sete réus.
A preocupação no Palácio do Planalto é de que a condenação do ex-presidente sirva como gatilho para uma escalada nas retaliações por parte do governo de Donald Trump, que busca a reeleição e tem se posicionado em defesa do ex-mandatário brasileiro.
Embora integrantes do governo neguem relação direta entre o julgamento e a recente decisão de iniciar processo de retaliação comercial contra os EUA, admitem que o movimento tem o objetivo de garantir respaldo legal e político para uma eventual resposta a novas penalidades por parte de Washington.
Lei de Reciprocidade como escudo
A medida adotada pelo Brasil é baseada na Lei de Reciprocidade, que permite a imposição de tarifas ou outras sanções comerciais contra países que adotem medidas semelhantes.
O processo pode levar de seis meses a um ano, o que justificaria, segundo o governo, a antecipação da resposta.
De forma paralela, o Brasil ainda avalia ações emergenciais, como a imposição de tarifas imediatas sobre produtos norte-americanos, caso haja agravamento da situação.
A Embaixada do Brasil em Washington já notificou oficialmente o USTR (Representante Comercial dos EUA) sobre o início do procedimento de retaliação.
Embora o Brasil tenha reafirmado a disposição para o diálogo, a percepção no governo é de que os EUA não demonstram interesse efetivo em negociar neste momento.
Pressão política e cenário eleitoral
Desde o anúncio de sanções em 9 de julho, o governo Trump tem usado o caso de Bolsonaro como justificativa para ações contra o Brasil. Entre as medidas já adotadas estão:
- Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros;
- Cancelamento de vistos de autoridades brasileiras;
- Sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky.
Aliados de Bolsonaro acreditam que essas sanções podem se intensificar com o julgamento, e temem, por exemplo, a extensão da Lei Magnitsky a familiares de ministros do STF, como a esposa de Moraes, além de outros integrantes da Corte.
A expectativa no governo Lula é de que a tensão diplomática com os EUA perdure até as eleições presidenciais de 2026, especialmente se o cenário político nos dois países continuar polarizado.
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