O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) que deixou a liderança do governo no Senado após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A saída ocorre dias depois de o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga supostos pagamentos relacionados ao Banco Master. Wagner nega qualquer irregularidade.

Integrantes do Palácio do Planalto conjecturam cenários de substituições, com o ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE)  visto como o favorito entre os interlocutores do presidente e a senadora Teresa Leitão (PT-PE)

Em publicação nas redes sociais, Jaques afirmou que a decisão foi tomada "em comum acordo" com o presidente. Segundo ele, o foco agora será provar sua inocência e atuar nas campanhas pela reeleição de Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e na própria candidatura ao Senado.

A saída de Wagner já era considerada provável nos bastidores do Palácio do Planalto. A avaliação do governo é de que o afastamento ajuda a reduzir o desgaste político provocado pelas investigações, evitando que o caso tenha reflexos na campanha presidencial.

Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. Também foram alvos o empresário Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo da Bahia.

De acordo com a investigação, empresas ligadas a Augusto Lima teriam repassado R$ 3,5 milhões ao núcleo familiar do senador. A PF também apura a suposta doação de um apartamento em Salvador, viagens em aeronaves ligadas ao Banco Master e outros benefícios. Durante as buscas, agentes apreenderam cerca de US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços vinculados ao parlamentar.

A defesa de Jaques Wagner apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular as buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça. Os advogados afirmam que o senador nunca atuou em favor do Banco Master no Congresso e sustentam que a decisão contém "erros graves", reiterando que Wagner é inocente das acusações.