O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de indicar R$ 111,8 milhões em emendas parlamentares de comissão ao Orçamento de 2024, mesmo sem exercer mandato. Segundo relatório da PF, o volume de recursos atribuídos a Valdemar foi superior ao destinado por 512 dos 513 deputados federais naquele ano, ficando atrás apenas do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

A investigação aponta que Valdemar teria utilizado sua posição como presidente do partido para direcionar verbas a municípios, principalmente de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Em 2025, o valor atribuído a ele caiu para R$ 7,4 milhões, sem explicação detalhada no relatório.

Com base nas conclusões da PF, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma operação e determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar. A polícia sustenta que as indicações de emendas teriam sido "forjadas" para beneficiar o dirigente partidário.

A defesa de Valdemar nega qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmam que não houve desvio de recursos ou fraude e argumentam que é legítimo um presidente de partido articular prioridades e dialogar com parlamentares sobre a destinação de verbas públicas.

As emendas investigadas aparecem oficialmente vinculadas aos deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP), Capitão Alden (PL-BA) e à liderança do PL na Câmara. Ambos os parlamentares negam que Valdemar tenha sido o autor oculto das indicações e afirmam que os recursos seguiram os trâmites legais.

O caso também reacende o debate sobre a falta de transparência das emendas de comissão, modalidade criada após a extinção das emendas de relator. Segundo a reportagem, partidos como PL, PP, União Brasil e PT registraram parte das verbas em nome de suas lideranças, dificultando a identificação dos verdadeiros responsáveis pela indicação dos recursos.