A venda do Consórcio Guaicurus para uma empresa de Goiás abriu uma nova fase na discussão sobre o transporte público de Campo Grande. A Prefeitura foi comunicada sobre a negociação e, segundo Adriane Lopes, a mudança é vista como uma oportunidade dentro do processo de intervenção iniciado há 35 dias no sistema, mas a transferência só terá aval do município caso a nova empresa apresente uma proposta de transformação no serviço.

A intervenção determinada pela Prefeitura tem prazo de 180 dias e foi iniciada com o objetivo de realizar levantamentos, auditorias e análises técnicas sobre o funcionamento do transporte coletivo da Capital. Para Adriane, a venda representa um avanço dentro de um processo que, segundo ela, busca mudanças esperadas há anos pela população.

“Eu vejo com bons olhos. Nós estamos a 35 dias de uma intervenção historicamente esperada. Uma mudança que não aconteceu ao longo de 20 anos, em 35 dias de uma intervenção, nós estamos dando mais um passo para um avanço muito significativo para o transporte público de Campo Grande”, afirmou a prefeita.

Adriane explicou que a negociação entre as empresas não significa uma mudança automática no comando do sistema. Segundo ela, a Prefeitura precisa avaliar a proposta apresentada pela nova empresa e cobrar compromissos para garantir melhorias aos usuários.

“Nós vamos recepcionar essa empresa na Capital desde que seja feita uma proposta de mudança do transporte público de Campo Grande. Nós vamos solicitar um cronograma, uma apresentação para o poder público municipal da proposta deles para Campo Grande”, declarou.

Entre as principais mudanças cobradas pela administração municipal estão a renovação da frota, ônibus novos, veículos com ar-condicionado, reforma dos terminais e melhoria na qualidade do serviço prestado.

“Não adianta a empresa trocar de dono, mas não fornecer um serviço de qualidade. Nós queremos ônibus novos, nós queremos ônibus com ar-condicionado, nós queremos reforma dos terminais de ônibus, nós queremos qualidade no serviço prestado”, destacou Adriane.

A prefeita também ressaltou que o transporte coletivo tem impacto direto na rotina de milhares de moradores da Capital, especialmente trabalhadores e estudantes que dependem diariamente do sistema.

“Atualmente, 70% dos usuários do transporte público da nossa Capital são mulheres, são crianças que utilizam o transporte para o trabalho, para ir às escolas. Então nós vamos sim avaliar essa proposta”, afirmou.

Segundo Adriane, a equipe responsável pela intervenção continua trabalhando na coleta de dados e na análise técnica do sistema. Ela afirmou que o momento é de cobrar uma mudança efetiva e não apenas uma troca de empresas.

“Não tem como você fazer uma transição dentro de uma intervenção sem a proposta de mudança de transporte. Nós queremos a mudança”, disse.

Caso a nova empresa não apresente um plano considerado adequado pelo município, a prefeita afirmou que a Prefeitura não dará o aceite para a transferência. “Se não houver essa proposta de transformação, o município não dá o aceite. Eu, como prefeita, não darei o aceite se não houver a proposta de mudança do transporte na Capital”, finalizou.