O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a filiação imediata do senador Flávio Bolsonaro ao PL após uma alteração fraudulenta em seu cadastro partidário. O parlamentar, que pretende disputar a Presidência da República pelo partido, havia deixado de constar como filiado ao PL e aparecido como integrante do Missão na quarta-feira (12), dois dias antes do fim do prazo para registro das candidaturas.

Segundo o TSE, não houve ataque hacker aos sistemas da Justiça Eleitoral. A Corte informou nesta quinta-feira (13) que a filiação ao Missão foi feita por uma pessoa que utilizou credenciais oficiais da própria legenda. O episódio foi encaminhado para investigação da Polícia Federal por determinação de Nunes Marques. A mudança de partido poderia impedir o registro da candidatura presidencial de Flávio pelo PL, já que a filiação a uma nova legenda desfaz o vínculo partidário anterior.

A campanha de Flávio classificou o caso como fraude e pediu ao TSE a restauração da filiação ao PL, além da investigação para identificar quem realizou a alteração. “Fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar”, afirmou o senador em vídeo publicado nas redes sociais. A regularização foi determinada pela Justiça Eleitoral a apenas dois dias do encerramento do prazo para registro das candidaturas, marcado para este sábado (15).

O Missão, por sua vez, afirmou que também foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta. Segundo a legenda, o gabinete de Flávio foi informado sobre a tentativa em 2 de agosto, mas não teria respondido aos e-mails enviados. O partido disse que identificou a irregularidade e tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas o pedido teria sido rejeitado pelo TSE. A legenda informou ainda que acionou a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal e pretende entregar registros técnicos do episódio, como logs, e-mails e endereços de IP.

O caso ocorre em um período de intensa movimentação nos partidos por causa do prazo eleitoral. Até esta quinta-feira (13), seis candidatos à Presidência já tinham registros divulgados no site do TSE: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Samara Martins (Unidade Popular), Wilson Grassi (Democrata) e Hertz Dias (PSTU). A situação também lembra um episódio de 2023, quando Lula apareceu como filiado ao PL sem autorização. Na época, o TSE determinou investigação da Polícia Federal e, posteriormente, a Justiça Eleitoral adotou mecanismos adicionais de confirmação para tornar o processo de filiação partidária mais rigoroso.