O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), classificou como uma “provocação institucional” o tumulto registrado durante a sessão desta terça-feira (20), que levou ao encerramento dos trabalhos antes da convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão. A oitiva foi remarcada para a próxima terça-feira (27), quando o secretário deverá prestar esclarecimentos sobre os serviços de tapa-buraco na Capital.

Após o episódio, os vereadores se reuniram por cerca de uma hora e decidiram manter a convocação, sem necessidade de nova votação. Segundo Papy, a sessão foi interrompida por falta de segurança para continuar os trabalhos e pelo risco de agravamento do conflito durante os questionamentos sobre contratos, custos e execução dos serviços de manutenção das ruas.

“Lamentamos o episódio. Não esperávamos esse tipo de comportamento aqui, até porque o cenário era extremamente pacífico. A convocação do secretário nada mais é do que uma resposta à sociedade de Campo Grande. Mais do que responder ao parlamentar, o que é um dever regimental do secretário, era uma resposta ao campo-grandense, que não aguenta mais essa crise dos buracos e quer respostas”, declarou Papy.

A confusão começou durante a manifestação do comerciante Gustavo Eifler, de 36 anos, que levou ao plenário uma maquete de isopor simulando um buraco no asfalto para protestar contra as condições das ruas. Durante o episódio, o servidor municipal Antônio de Jesus, conhecido como Charupá, quebrou o material e, segundo o presidente da Câmara, Papy, agrediu um guarda municipal durante a tentativa de retirá-lo do local. Diante do tumulto, a sessão foi encerrada.

“Hoje não havia nenhum indício de que pudesse ocorrer um ato de violência, uma briga ou algo desse tipo. Lamento muito que um servidor da gestão se preste a cumprir um papel desses. Ele foi contido da maneira que podíamos naquele momento, mas a sessão foi interrompida”, afirmou.

Papy também disse que os guardas tentaram conduzir o servidor para fora do plenário sem recorrer ao uso desnecessário da força. Para o presidente, a situação poderia ter terminado de forma ainda mais grave caso os trabalhos tivessem continuado.

Presidente evita acusar prefeita

Questionado sobre a possibilidade de a mobilização de servidores durante a sessão ter sido organizada pela Prefeitura, Papy afirmou que não tem elementos para responsabilizar diretamente a prefeita Adriane Lopes (PP) pelo ocorrido.

“Quero acreditar, do fundo do meu coração, que a prefeita Adriane não tem nada a ver com essa manifestação. Que os servidores vieram porque quiseram, porque se interessaram pela pauta e quiseram defender a gestão”, declarou.

Apesar de evitar atribuir responsabilidade direta à prefeita, o presidente criticou o episódio e afirmou que considera a situação um problema na relação entre os Poderes municipais.

“É um rompimento institucional provocado pelo Executivo, uma provocação desnecessária e irresponsável, porque poderia ter acontecido algo pior”, disse.

A declaração foi feita ao comentar o envolvimento de um servidor municipal na confusão. Papy, no entanto, reiterou que não pretende responsabilizar a chefe do Executivo sem provas que sustentem essa conclusão.

Convocação é independente da CPI

Papy esclareceu que a convocação do secretário André Moura Brandão não está diretamente ligada à proposta de CPI apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), que busca investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buraco. Segundo o presidente da Câmara, o requerimento reunia, conforme sua estimativa, 24 assinaturas e ainda seria encaminhado à Procuradoria Jurídica para análise.

“A convocação do secretário André não tem correlação direta com a CPI. É claro que são instrumentos da Câmara, mas a convocação de hoje não era para estimular nem arrefecer a CPI”, afirmou.

A convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, tem como objetivo esclarecer dúvidas dos vereadores sobre os custos, contratos, prazos e execução dos serviços de tapa-buraco em Campo Grande, independentemente do andamento do pedido de abertura da CPI. Antes do tumulto, o presidente da Câmara, Papy, havia informado que cada parlamentar poderia fazer até duas perguntas ao secretário.

Entre os pontos que seriam questionados estão o vencimento de contratos sem novas licitações e o esgotamento dos saldos disponíveis para os serviços. Segundo Papy, esses problemas contribuíram para que a Capital ficasse quase quatro meses sem tapa-buraco ativo. O presidente também destacou a preocupação com os riscos de acidentes provocados pelas más condições do asfalto, especialmente envolvendo motociclistas.

Com a remarcação da oitiva para terça-feira (27), a Câmara mantém a cobrança por explicações da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos. Papy afirmou que os vereadores pretendem manter o diálogo com o Executivo para buscar soluções para as condições das ruas, enquanto o pedido de abertura da CPI segue como uma iniciativa independente, ainda sujeito à análise jurídica.