Saúde
JD1TV: Mudanças ambientais e Rota Bioceânica acendem alerta para novas doenças em MS
Marina Rocha, pesquisadora da Fiocruz em MS, destaca que alterações no ambiente e maior circulação de pessoas podem modificar a presença de vetores e facilitar a chegada de agentes causadores de doenças
Mato Grosso do Sul terá de reforçar a vigilância contra doenças transmitidas por vetores diante das mudanças ambientais e do aumento da circulação de pessoas e mercadorias provocado por grandes obras, como a Rota Bioceânica. O alerta é da pesquisadora Marina Rocha, da Fiocruz-MS, durante entrevista ao Dr. Plácido Menezes, no Saúde & Bem-Estar desta sexta-feira, dia 28, que destaca que a transformação dos ambientes pode alterar a dinâmica de mosquitos e outros vetores, além de favorecer a chegada de novos agentes causadores de doenças ao território.
Segundo a pesquisadora, o cenário exige uma visão que vá além dos cuidados individuais da população. A Fiocruz-MS desenvolve estudos sobre dengue, leishmaniose e outras arboviroses, além de pesquisas em entomologia, vigilância genômica, doenças emergentes e reemergentes e biodiversidade. O objetivo é monitorar alterações nos vetores e nos microrganismos para permitir respostas mais rápidas do poder público diante de possíveis surtos.
A preocupação ganha dimensão ainda maior em Mato Grosso do Sul por causa da extensa área de fronteira, da presença dos biomas Cerrado e Pantanal e da implantação da Rota Bioceânica. Conforme Marina, o aumento do transporte internacional pode facilitar a circulação de novos vetores e agentes infecciosos. A pesquisadora explica que, assim como sementes, plantas e insetos são fiscalizados em aeroportos para impedir a entrada de organismos capazes de alterar ecossistemas, o fluxo de pessoas e cargas também exige vigilância epidemiológica para evitar novos riscos à saúde.
Um exemplo citado pela pesquisadora durante entrevista ao programa Saúde & Bem-Estar é a própria história da leishmaniose em Mato Grosso do Sul. Segundo Marina, a construção do gasoduto esteve relacionada à entrada da doença no Estado, inicialmente em Corumbá, após problemas nas barreiras biológicas durante a obra. O episódio é apontado como exemplo de como grandes transformações no território podem provocar impactos que vão além da economia e da infraestrutura, atingindo diretamente o meio ambiente e a saúde da população.
Diante desse cenário, a Fiocruz-MS aposta no conceito de Saúde Única, que considera inseparáveis as relações entre saúde humana, animal e ambiental. A instituição mantém pesquisadores dedicados ao monitoramento de vetores, alterações ambientais e doenças emergentes, além de desenvolver ações de vigilância participativa com pessoas que vivem nos próprios territórios. Para Marina, compreender essas conexões é fundamental para antecipar ameaças e fortalecer a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS).