A ausência de estacionamento rotativo no centro de Campo Grande e as recentes restrições à circulação de veículos de carga na região central têm sido alvo de críticas por parte do setor de transporte e logística. Empresários afirmam que as medidas impactam diretamente a operação das empresas, elevam custos e podem gerar reflexos no emprego e na economia local.

As declarações foram feitas pelo empresário Otavio Luiz Rodrigues, integrante da diretoria do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Mato Grosso do Sul – SETLOG-MS, em entrevista ao JD1 Notícias. Segundo ele, o cenário atual reúne dois fatores considerados críticos pelo setor: a falta de vagas adequadas para estacionamento de veículos de carga e a nova regulamentação que restringe a circulação de caminhões no perímetro central da Capital.

O empresário cita o Decreto Municipal n. 16.664, de 17 de junho de 2026, que dispõe sobre a restrição à circulação de veículos de carga na região urbana do centro de Campo Grande. Ele afirma que a medida teria sido adotada sem ampla discussão com a categoria e pode provocar impactos operacionais significativos.

Segundo Otavio Luiz, a dinâmica logística dentro da cidade exige estrutura permanente de operação, com frota ativa, veículos de reserva e mão de obra constante. Ele destaca que apenas uma das empresas do setor mantém dezenas de caminhões em circulação diária e cerca de 60 a 65 motoristas atuando diretamente na operação urbana, além de um quadro total que ultrapassa 600 trabalhadores envolvidos nas atividades da empresa na Capital.

Outro ponto levantado pelo empresário diz respeito às autuações aplicadas em situações de estacionamento irregular ou infrações de trânsito no centro da cidade. Segundo ele, os valores variam entre R$ 160 e R$ 300, a depender da ocorrência registrada.

Na avaliação do setor, essas penalidades acabam sendo repassadas aos motoristas, o que compromete o rendimento dos trabalhadores ao final da jornada. Otavio Luiz afirma que o impacto financeiro e operacional dessas multas gera desmotivação entre os profissionais que atuam no transporte urbano de cargas.

CRÍTICAS À AUSÊNCIA DE TRANSIÇÃO E PEDIDO DE DIÁLOGO

O empresário também critica a forma como as mudanças vêm sendo implementadas, argumentando que o setor não teria sido previamente ouvido e que não houve período de transição suficiente para adaptação às novas regras.

Para ele, medidas dessa natureza deveriam ser construídas em diálogo com as empresas e acompanhadas de prazos adequados de adaptação, evitando impactos abruptos na operação e no mercado de trabalho.

“É preciso sentar, conversar e estabelecer um prazo para adaptação. Não dá para mudar regras de forma repentina e esperar que o setor se ajuste imediatamente”, afirmou.

Otavio Luiz informou ainda que pretende buscar reuniões com a prefeitura de Campo Grande e com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) para discutir alternativas e possíveis ajustes na regulamentação.

O empresário alerta que as restrições à circulação de caminhões de maior porte no centro podem provocar uma reorganização da logística urbana. Segundo ele, cargas que hoje são transportadas por um único veículo poderão exigir dois ou até três caminhões menores para a mesma operação.

Na avaliação do setor, essa mudança tende a aumentar o número de veículos em circulação na área central, além de elevar custos operacionais e complexidade logística. Ele também aponta preocupação com possíveis efeitos sobre trabalhadores autônomos e pequenas empresas do segmento.

POSICIONAMENTO DA AGETRAN

Em nota, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) informou que a região central da Capital já dispõe de vagas destinadas às operações de carga e descarga, mas reconhece o aumento da demanda por serviços de entrega e abastecimento.

A agência afirmou que equipes técnicas realizam estudos para avaliar a ampliação dessas vagas e a criação de novos espaços de estacionamento na região central.

Sobre o estacionamento rotativo, a Agetran informou que o processo licitatório está em fase final de instrução e será lançado oportunamente. O novo modelo, segundo o órgão, tem como objetivo ampliar a rotatividade das vagas, otimizar o uso do espaço público e melhorar a organização do estacionamento no centro da cidade.

A agência destacou ainda que a regulamentação das operações de carga e descarga integra um conjunto de medidas voltadas à organização da logística urbana, buscando conciliar mobilidade, segurança viária e atividade econômica.

Quanto às autuações por estacionamento irregular, a Agetran reforçou que a fiscalização segue o Código de Trânsito Brasileiro e que infrações como parada em fila dupla comprometem a fluidez do trânsito e a segurança viária.

O órgão ainda afirmou que permanece aberto ao diálogo com os setores produtivos e que continuará acompanhando a evolução da demanda por mobilidade e logística urbana na Capital, com estudos e ajustes permanentes no sistema viário.