1.COMO NASCEU O DESEJO DE SER UMA ARTISTA PLÁSTICA?
O interesse evoluiu no decorrer da minha formação como Arquiteta urbanista, as aulas de artes visuais que fizeram retroceder as imagens da minha infância e relembrar idades próximas dos 6 anos em diante que já manuseava alguns trabalhos manuais e principalmente pinturas e desenhos animados em papel e tecidos.
Nascida em Marília interior de São Paulo, filha do meio entre dois homens vim de uma família italiana simples e conservadora. Tradicional aqui na capital no inicio de 77 no ramo automobilístico (posto de molas).
O prazer pela construção civil vem dos meus pais, que jovens, passaram por fases que marcaram bastante minha infância. Desde granja em venda de ovos de galinhas, distribuidora de cimentos, uma pequena fabrica de tijolos artesanais em blocos, construção e comercialização de casas. Neles presenciei força, garra, determinação, luta constante de criar os filhos com religiosidade e o trabalho como forma educacional entre família. Tudo isso motivou e movimentou minha infância como marco hoje de empreendedorismo.
Fui educada a formar família, desde os 13 amava cuidar do baú de enxoval e fazer roupas das minhas bonecas... Entre crochês, bordados e pinturas, passava horas no período da noite quando voltava do trabalho, costurando numa máquina antiga que ficava no meu quarto. Conta minha mãe que às vezes tinha que pedir pra eu parar e deitar... O barulho da máquina não deixava ninguém dormir... risos. Ela se preocupava muito, pois sempre levantei muito cedo pra estudar.
Aos 14 anos, atuante e fervorosa num grupo de jovens da igreja católica o sonho era casar novinha e ter filhos. Aos 16 passei no vestibular para arquitetura e não cursei. Aos 20 anos estava casada e aos 22 pela graça de Deus fui mãe. Passaram-se alguns anos e com os tropeços da vida, resolvi fazer faculdade aos 27 anos.   Esse foi o momento que minha história começa mudar! Arquiteta urbanista formada pela UNIDERP (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal) aqui na capital em 2004 aos 32 anos e Artista Plástica aos 37.

2.O QUE LHE TRÁS SATISFAÇÃO REALIZANDO UMA OBRA?
Na verdade pintar pra mim é extravasar tudo que fui. Tudo que sou e tudo que desejo ser. As técnicas que uso de pintura são simples. Faço releituras de fotos de pessoas (tem que ser rica de luz e sombra). Amo trabalhar com figura humana. É como se eu pudesse dar vida a um pedaço de tecido. Pode parecer bobagem, mas todas as vezes que eu finalizo uma tela. Fico dias sentindo cada passo dado naquela pintura e o que ela representou naquele período pra mim. Pintura não é apenas o pintar, é o crescer, é a descoberta de mim mesma, é um desafio a cada tom de pele, a cada olhar ou semblante. Pintar mulheres e mães com bebes tem feito de mim uma mulher melhor, uma profissional antenadíssima num desejo infinito de viver cada momento presente. Tenho certeza que Deus me presenteou com esse dom para exteriorizar meus sentimentos. Dizer a todos que passam ou que já passaram por desafios na vida, que a felicidade pode ser o meu ou o teu hoje, nunca é tarde para descobrir que somos capazes de fazermos e desenvolvermos o que existe de melhor dentro de cada um de nós. Que a vida é muito curta pra ser jogada fora e cada segundo não é um tempo que se perde e sim que se ganha.   
Pintar pra mim hoje desperta sentimentos, eu olho para a pintura e fico imaginando a cena, paro e reflito sobre a vida. Minha inspiração para as telas é baseada no meu dia a dia, e quando algo sai do prumo, prometo a mim mesma que posso fazer diferente e encontro na pintura meu aconchego. Eu vivo intensamente e essa é minha forma de extravasar.

3.COMO SURGIU O DESEJO DE VOLTAR ÀS TELAS?
Em 2009 após um processo de depressão, tive iniciativa com ajuda de uma amiga a pintar óleo em telas. Fui resistente em pensar que pintura tinha sido apenas na infância e alguns momentos na faculdade. Mas a insistência foi tanta que resolvi ceder!
Resurgia em mim o desejo de recuperação e de descoberta de mim mesma. Sentia que algo impulsionava para grandes obras na minha vida. Era como se fosse um despertar, um abrir dos olhos confiantes e cheios de novos ideais. Foi o marco de uma linha nova na história da minha vida. Deus estava permitindo em mim um novo caminhar.
No início, muito perfeccionista, super limitada nos traços e nas cores, aos poucos fui me soltando. Pintei casario, releituras de Tarsila do Amaral, Paulo Lara e um dia num Word shop (no atelier Duart’s, hoje meu mestre e curador), lançou em mim um desafio a pintar uma figura humana e usar técnica impressionista, ri dele e chamei-o de louco... risos. Nesse dia pintamos mais de 15 horas seguidas.. Fiz uma releitura de Pino Daeni (Pintor italiano, habilidoso em pintar mulheres) Pintei uma mulher linda encostada num gradil. Amei a experiência, foi fantástica. Aquele lance de misturar muitas cores ao mesmo tempo, de pintar pele, de lançar pinceladas soltas e deixar a música interior tocar mais alto, foi bárbaro. Depois disso não parei mais.
Duas de minhas telas participaram da Mega artesanal de SP como convidada no estande do Duart’s.
Final de 2009 a tela “Mama áfrica” ganhou medalha de ouro e outra de bronze em salões na Escola Superior de Guerra no Rio de Janeiro.
Nesse período realizei o curso EMPRETEC pelo SEBRAE de empreendedorismo. Em abril de 2010 lancei um desafio a mim mesma que em 1 ano exporia 15 telas de grande porte em lugar de destaque na capital.
Olha que não foi fácil... Passei por grandes desafios... Entre obras e projetos, mãe, mulher, amiga e filha. Em menos de um ano cumpri a meta em grande estilo com minha primeira exposição em março de 2011 no saguão da Assembleia Legislativa de Campo Grande- MS, onde fui homenageada e homenageei todas as mulheres e mães guerreiras com tema “MULHERES”.

4.UM CONVITE PARA PARTICIPAR COM DIVERSOS ARTISTAS PLÁSTICOS DO BRASIL TE LEVOU A EUROPA ESTE ANO, ME FALA DESTE CONVITE E COMO FORAM AS EXPOSIÇÕES?
Perto da data dessa exposição da Assembleia Legislativa, fui convidada a participar junto de mais 12 artistas plásticos (Campo Grande-MS) do “XVI Circuito Internacional de Arte Brasileira” que aconteceria na Áustria, Espanha, Portugal e por fim Brasil. O circuito é um evento realizado, há 16 anos, pela “Colege Arte de Belo Horizonte – MG”. Os principais objetivos das mostras são a confraternização e amizade entre os povos por meio de arte, e a abertura de forma direta, do mercado internacional para futuras comercializações de obras brasileiras.
Saímos de SP num grupo de 26 artistas rumo ao tour e as exposições que entre quase 160 obras... Duas de minhas telas 50x50 ganharam espaço na exposição uma “o abraço”(mãe com bebe) e a outra “O olhar” (uma amamentação).
Estive presente em duas das exposições. Uma em Évora-Portugal no Convento de S. Domingos, no alto da colina, próximo das ruínas de um castelo. O lugar é simples, mas encantador. Fomos bem recepcionados com um grupo de coralistas que cantaram fado... Foi emocionante!
A segunda exposição que pude participar foi em Madri-Espanha na Casa do Brasil (Centro cultural) sempre acompanhada com os ilustres organizadores do “Colege Arte”.

5.O QUE MUDOU NO MUNDO DESTA ARQUITETA APÓS ESTA VIAGEM?
Nossa! Foram quase 17 dias de pura adrenalina... Rs. Nossa turma era muito animada. Brasileiro na Europa... Hum imagina! Não posso deixar de enfocar que a viagem e a exposição foram maravilhosas... Mas as amizades que fiz foram mesmo outro presente de Deus! Acabamos fazendo uma panelinha e nosso tempo era super cronometrado para conhecer o maximo de lugares, museus, templos, castelos... Enfim! Uma riqueza de informações e cultura!  Dormi muito pouco nesse período... Entre idas e vindas de cidades e países... O encantamento e detalhamento, técnicas construtivas de arquiteturas variadas me emocionaram a cada instante.
Voltei num desejo desenfreado por pintar e estudar mais arquitetura. Eu que antes era pura execução no canteiro de obras... Estou agora ainda mais apaixonada pelas artes, pela arquitetura e decoração. Quero investir em cursos e viagens que farão de mim e do meu profissional aliados para o meu viver bem.

Raio x
Um ideal:
Viver o hoje. Tudo no tempo de Deus... Esse é meu lema!
Um arquiteto: Antoni Galdí (Espanha) e Lina Bo Bardi (Brasil)
Um designer: Philippe Starck (Francês)
Um livro: Bíblia (livro diário de cabeceira).
Leitura atual: “A lei do Triunfo”
Uma cor: vermelha
Uma feira: automóveis antigos (amo ver os carrões de época)
Um país: Holanda
Uma cidade: Paraty / Rio de janeiro
Um hobby: cozinhar para os amigos
Um artista brasileiro: Fernanda Monte Negro
Um perfume: 212 VIP (Carolina Herrera)
Uma musica: Entra na minha Casa (Adriana)
Um lazer: Pescar
Impossível viver sem: o amor de Deus, o abraço e o beijo do meu filho, família, amigos e trabalho.