Entrevista com Sergio Rodrigues
Nosso primeiro designer internacional, Sergio Rodrigues um ícones em nossa história. Teve como amigos no auge do modernismo brasileiro de pranchetas, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Sergio Bernardes. Formado em 1951, na Faculdade Nacional de Arquitetura, no Rio de Janeiro, ao ver uma reformulação geral na linguagem arquitetônica, se sensibilizou em trazer mobiliários de interiores propício para os ambientes, iniciou seus traços direcionados em algo inovador e qualificados para o clima e cultura brasileira, expunha tais criações em seu Show roon ,juntamente com outros designers,e assim surgiu a famosa OCA,inaugurada em 1955(Ipanema), foram vinte anos de sucesso absoluto, a famosa cadeira Mole em 1957que ganhou em 1961 o primeiro Concurso Internacional do Móvel ,em Cantu- Itália.
Em 1968 teve seu ateliê onde se dedicou na arquitetura de interiores para residência escritórios e hotéis , com diversos projetos institucionais tais como: Banco Central-Brasília ,Editora Bloch- Rio de Janeiro, neste período projetou meia centena de casa pré-fabricadas de madeira,com base num sistema criou um sistema de elementos modulados e criado por ele,está criação foi usada na construção do Iate Clube de Brasília,totalmente planejado e adequado para nosso clima, em acabamento artesanal e com isto o custo ficou alto prejudicando assim a comercialização.
Rodrigues fez ainda projetos de mobiliário para vários edifícios governamentais, como a Embaixada do Brasil na Piazza Navona em Roma, a Universidade de Brasília, o Palácio dos Arcos, o Teatro Nacional de Brasília. Entre outras exposições, participou da Mostra Convegno Brasile 93, La Costruzione de una Identità Culturale, em Brescia, Itália, em conjunto com Lúcio Costa e Zanine Caldas; da Bienal de Arquitetura de São Paulo; e da Tradição e Ruptura.
Em 70 á 80 desiludido com tantas cópias mal feitas de sua criação diminuiu á atuação na área moveleira e focou uma visão particularizada em atender apenas um grupo elitizado que valorizava sua arte no designer.
Uma empresária da indústria moveleira de Curitiba, Gisele Schwartsbud,se interessou em saber, o por que, peças tão criativas e com um designer impecável, estava desaparecendo do mercado moveleiro, quando encontrou Sergio Rodrigues,acreditando no talento do mesmo reeditou os móveis de Sergio em sua empresa,com uma nova linguagem de materiais(madeiras sustentáveis e com certificado do IBAMA), a empresa Lin Brasil, investe neste talento e em abril de 2009,a linha de Sergio Rodrigues foi exposta no pavilhão de design no Salão Internacional do Móvel de Milão no estande da Classicon,seu representante na Europa.
"A aproximação de desenho do móvel moderno com certos objetos da cultura brasileira, e a não preocupação com modismos, acentuam o espírito de brasilidade que tanto buscava, Esses fatos foram preponderantes da decisão do júri da IV Bienal do Móvel, Cantu, Itália 1961, premiado com a Poltrona Sheriff entre 400 candidatos de 35 países.
Um ícone na nossa História do mobiliário, vamos entender mais de seu conceitos e expressões nesta entrevista.
Como surgiu o desejo de se tornar um arquiteto?
Eu morava com um tio-avô no Rio de Janeiro, em um casarão do século 19, eu achava incrível aquele lugar e meu tio, amava estar ali, quando tive o contato com a planta original da execução do casarão, comecei a perceber que a janela que estava ali projetada estava no lugar que a planta dizia que ela deveria estar com medidas, posições enfim....Com isto comecei a me interessar pela planta,eu via que tudo que estava ali saiu exatamente como estava no projeto, este interesse foi aumentando quando comecei a traçar meus próprios brinquedos,este meu tio-avô,era apaixonado por marcenaria apesar de não ser ele o marceneiro ele tinha uma marcenaria que contratava marceneiros alias bons profissionais portugueses e executavam exatamente o que a planta pedia assim a cada instante fui me interessando mais e mais, quando criava um carrinho e depois via ele pronto em minhas mãos achava aquilo incrível.Na época de fazer exames para faculdade decidi, que seria um arquiteto sempre curti , tudo o que vi em minha vida através deste tio-avô..Foi assim...
Com toda sua vivencia dentro da arquitetura e do designer, acredita que dos anos 50 até os dias de hoje podemos disser que o conceito brasilidade foi conquistado em seu espaço e raízes como deveria?
Toda minha vida lutei pela brasilidade, acredito que somente os críticos poderiam disser o quanto contribui para tal. Nunca fui por tendência sempre criei o que achava necessário dentro desta temática brasilidade,acredito que devo ter contribuído para isto ...
Sua capacidade em expressar esta brasilidade, e configurou uma batente em seu nome que hoje até o leigo reconhece sua efêmera tradução, dentro da arquitetura e designer,acredita que seja esta cumplicidade de paixão pela arte da marcenaria que traduziu com perfeição este amor?
Não...foram as plantas...
Quando fui convidado para trazer esta brasilidade em Brasília dentro de toda uma arquitetura contemporânea de Oscar Niemayer ,deveria criar um mobiliário colonial brasileiro,pois, as mesas dos ministros não se harmonizavam com a arquitetura ,fiz uma proposta e foi aceito, e isto ,abriu-se outra porta onde recebi o convite para fazer Embaixada do Brasil na Piazza Navona em Roma. E tudo foi caminhando para este perfil da brasilidade e de um estilo próprio onde a madeira entrava com tudo, pois, somos o país que tem a maior floresta tropical do mundo tudo isto levou a uma soma que o resultado é este ai que todos conhecem.
Esta nova geração de designer e arquitetos ,criam com paixão e amor pela arte?
Com certeza, muitos estão caminhando para desenvolver cada vez mais algo diferenciado e de estilo próprio.
Sei que se mobilizou em toda sua fabricação da criação,dentro do conceito sustentabilidade, como é este planejamento de madeira reflorestada?
Sempre fui um eterno apaixonado pela madeira principalmente a jacarandá, que infelizmente acabou á cinqüenta anos atrás não existia este conceito de sustentabilidade, pois não tínhamos esta visão, hoje com certeza todos moveis que crio ou que levam meu nome são de madeira reflorestada com certificado.
Dos anos 50 a sociedade carioca , paulista e mineira idealizava mais o mobiliário Europeu ,foi difícil introduzir seu mobiliário?
Observava que fora do Brasil a produção do mobiliário eram modelos de pés palito. Eu pensei.... vou fazer diferente....algo que a presença da madeira seja valorizada e sua personalidade traduza a brasilidade na época trabalhava com latão cromado como fiz para Brasília ‘hoje trabalho com aço inoxidável,mais a referencia maior sempre será a madeira.Não foi difícil,pois a própria arquitetura estava em uma áurea do modernismo e a própria arquitetura pedia mobiliário que acompanhasse esta inovação.
Qual o seu conceito de uma casa com Estilo e Requinte?
UMA CASA COM ESTILO E REQUINTE... deve ter a alma do proprietário dos moradores da daquela casa,o arquiteto não deve fazer algo que ele goste e sim o que o seu cliente deseja e por isto dentro da técnica devida,uma casa com estilo e requinte é uma casa que tenha alma de seu morador.