Saúde
Projeto travado do Hospital Municipal de Campo Grande pode ter novo local
Secretário de Saúde quer rediscutir obra e admite que pode mudar área prevista na Chácara Cachoeira
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) pretende abrir um novo processo licitatório para viabilizar a construção do Hospital Municipal de Campo Grande e pode alterar o local inicialmente escolhido para a obra. A área prevista na Chácara Cachoeira foi alvo de críticas desde o lançamento do projeto, por estar em uma região considerada nobre e distante de parte da população que depende do SUS. Agora, a localização deverá voltar à discussão antes da publicação de um novo edital.
A possibilidade foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, durante entrevista concedida nesta semana à Rádio Cidade 67. Segundo ele, a escolha do terreno não atende às necessidades da rede pública e compromete o acesso dos pacientes.
"Quando eu entrei e foi apresentado para mim o local da Chácara Cachoeira, eu não concordei. É muito longe e é uma área que não viabiliza o acesso, principalmente para a população que precisa do Sistema Público de Saúde", afirmou.
Vilela disse que a definição será reavaliada dentro do novo processo licitatório e que a decisão passará pelo Conselho Municipal de Saúde. "Isso vai ser rediscutido agora no novo processo que está começando e, se Deus quiser, nós vamos encontrar uma área bem melhor para dar acessibilidade à população", declarou.
O secretário explicou que a localização de um hospital de alta complexidade é estratégica para salvar vidas. Segundo ele, pacientes classificados como ficha vermelha, casos de infarto agudo do miocárdio, AVC e outras emergências cardiovasculares, precisam chegar rapidamente a um hospital preparado para realizar procedimentos como cateterismo e cirurgias.
O Hospital Municipal foi anunciado pela prefeita Adriane Lopes em julho de 2024 como uma das principais promessas para reduzir a superlotação da rede pública. O projeto prevê um complexo com 250 leitos, sendo 130 para adultos, 60 pediátricos, 20 de UTI, além de 49 leitos de emergência, 53 consultórios e cinco salas de procedimentos. A obra seria executada no modelo built to suit, em que uma empresa constrói e aluga o empreendimento ao município por contrato de longo prazo.
Entretanto, a primeira licitação não avançou. O processo recebeu pedidos de impugnação e esclarecimentos de empresas interessadas e acabou sem interessados, obrigando a administração municipal a reiniciar os estudos. O custo previsto no edital poderia chegar a R$ 1,23 bilhão ao longo de 20 anos.
Em nota enviada ao JD1 Notícias, a Sesau informou que o Hospital Municipal continua entre as prioridades da administração. A pasta afirmou que, após as licitações anteriores resultarem desertas, será feita uma reavaliação técnica do projeto para definir o modelo mais adequado de execução.
Ainda segundo a secretaria, os próximos encaminhamentos serão discutidos com o Conselho Municipal de Saúde e com a Câmara Municipal antes da definição das próximas etapas. As informações sobre o novo processo serão divulgadas oficialmente conforme os estudos forem concluídos.