Marcando o início da série de sabatinas 'Frente a Frente – Eleições 2026', o governador Eduardo Riedel (PP) respondeu a questionamentos dos veículos de comunicação sobre economia, meio ambiente, educação, saúde, segurança pública, desenvolvimento e inovação.

Logo no início ao ser questionado porque quer continuar sendo governador, Eduardo Riedel defendeu a maturação do ciclo que começou em 2023. "Estamos construindo isso dentro de uma harmonia que o Estado alcançou, um ciclo institucional extremamente importante para darmos sequência a algumas políticas públicas que entendemos como essenciais [...] Eu gostaria de continuar esses projetos e fazer outros para dar sequência à trajetória que Mato Grosso do Sul construiu".

Meio ambiente e sustentabilidade

Questionado pelo JD1 sobre os impactos da expansão da indústria de celulose e o que o Estado aprendeu com Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, Riedel afirmou que as experiências levaram a novas exigências para a instalação da Arauco em Inocência. “As contrapartidas exigidas da empresa foram trabalhadas a partir do aprendizado de Ribas: alojamento, distância até a unidade de produção, transporte, segurança pública e saúde”, afirmou. 

Sobre os impactos ambientais e os problemas registrados no Rio Pardo, o governador reconheceu que há um “desarranjo” que precisa ser analisado. “A questão ambiental tem três eixos: biodiversidade, carbono e água. Um dos fatores da melhoria do balanço de carbono do Estado é o aumento da floresta plantada”, disse. "Ribas recebeu a maior fábrica do mundo. A Arauco será ainda maior que Ribas e com um componente diferente: Inocência tem 8 mil habitantes. Hoje, há 14 mil trabalhadores lá. Mas não existe hoje o drama que tivemos em Ribas, porque as contrapartidas exigidas da empresa foram trabalhadas a partir do aprendizado de Ribas".


Ao SBT-MS, Riedel avaliou os impactos sociais provocados pela instalação de grandes fábricas de celulose, diante da chegada de um novo empreendimento da Bracell a Bataguassu. Segundo o governador, os maiores reflexos ocorrem durante a fase de construção e já estão mais mitigados. 

Ele também destacou a movimentação econômica gerada pelos empreendimentos. “São centenas de negócios: serviços, restaurantes, borracharias, logística, hotéis, medicina, odontologia, saúde, beleza e estética. É uma mudança completa de oportunidades para uma região, não apenas para um município”, afirmou.

Riedel reconheceu, porém, a existência de problemas e apontou o saneamento como principal desafio ambiental dentro das cidades.

Arrecadação e finanças públicas 

Ao Correio do Estado, Ridel falou sobre os resultados de incentivos fiscais em empregos e arrecadação para o Mato Grosso do Sul. "Nesses três anos e meio, foram mais de 140 mil empregos. Esse é o primeiro lado do incentivo: atrair capital para Mato Grosso do Sul. A consequência direta disso é a geração de empregos e o aumento da renda média", frisou.

Ainda segundo o gestor o estado tem a sexta maior rende a média do país com desemprego mais baixo da história. Ele também comentou sobre incentivos de serviços essenciais, que no fim ajudam o bolso da população. "Por exemplo, o gás de cozinha é incentivado, a carne é incentivada e o etanol combustível é incentivado. Quando você tem uma alíquota de 11% para o etanol e a modal é de 17%, essa diferença é contabilizada como incentivo".

Segundo ele, se reeleito for, manterá a linha de incentivos. "Porque esse é o motor da economia e o gerador de resultados positivos para o nosso crescimento".

Ao ser questionado sobre os quase 12 bilhões de incentivos fiscais, Riedel defendeu chamou de "processo em razão de investimento". "Ao conceder o incentivo, continuo sem uma parte da receita, porque o incentivo não é total, mas, ao mesmo tempo, gero uma série de outras receitas com a ativação da economia".

Ao Campo Grande News, o chefe do executivo estadual falou sobre o desafio da perda da arrecadação do Imposto com a queda da oferta do gás boliviano que impactou o ICMS do Mato Grosso do Sul e se há possibilidade de recuperar essa arrecadação quando o nosso estado se expande em produção de celulose que é um produto semi elaborado. "Temos que observar o tempo todo a qualidade do gasto. Foi sobre isso que nos debruçamos. Mesmo com a arrecadação patinando, no linguajar comum, andando de lado e, muitas vezes, crescendo abaixo da reposição inflacionária, mantivemos a capacidade de investimento do Estado na ordem de 12% a 15% da nossa receita corrente líquida", defendeu.

O governador admitiu que precisa buscar outros mecanismos mas que gerir o orçamento sem prejudicar nenhum serviço público é questão de capacidade.

 

Educação

Questionado pelo Portal A Crítica sobre possibilidades de fazer PPPs, ou seja parcerias público-privadas na educação como feito em São Paulo em um governo elogiado por Riedel, o gestor sul-mato-grossense deixou claro que o momento não seria agora. "Porque temos uma rede patrimonial de escolas pronta. A PPP da educação, dentro das experiências existentes no país, está vinculada ao ativo imobiliário. A parte pedagógica permanece com o Estado. Os professores são do Estado e o conteúdo pedagógico é do Estado. O ativo imobiliário e a administração desse patrimônio ficam com o parceiro privado. Dessa forma, o Estado se concentra naquilo que interessa, que é o aprendizado dos alunos".

Riedel destacou entregas feitas em sua gestão para a Educação e deu como exemplo a economia que poderia ser gerada com uma PPP. "Construímos uma escola em Ribas do Rio Pardo por R$ 20 milhões ou R$ 21 milhões. Você retira o dinheiro do caixa do governo e entrega uma escola nova. Poderia entregar a construção a um parceiro privado e pagar um aluguel. É uma discussão financeira".

Mesmo assim, Riedel defendeu a rede escolar estadual e lembrou da aplicação de R$ 1,2 bilhão e reforma de 270 escolas que vão desde reestruturação elétrica à laboratórios e bibliotecas.

Ele também frisou que é responsabilidade por uma possível má gestão da educação é do Governo do Estado assim como ocorre na PPP do Hospital Regional de Campo Grande onde o Estado será responsável.

Para a TV Guanandi, o candidato falou sobre como irá melhorar  aprendizado e proficiência dos alunos como meta até 2030. 

“É interessante dissecar o resultado do Pisa. Mato Grosso do Sul está na nona colocação do país em proficiência. São avaliadas três dimensões: língua, escrita e leitura; matemática; e ciências [...] Afinal, o melhor salário do Brasil, a escola em tempo integral e a estrutura reposicionada têm um objetivo: o aluno. Nunca podemos nos esquecer disso. Falamos dos professores e da estrutura, mas o objetivo é o aluno”, Riedel lembrou ainda que MS está com 55% dos alunos do ensino médio matriculados em cursos técnicos profissionalizantes, segundo ele, o maior índice do Brasil. 

Saúde
Durante a sabatina, a TV Guanandi abordou a situação financeira e administrativa da Santa Casa e os pedidos da instituição por mais recursos públicos. Riedel afirmou que o hospital é fundamental para a saúde do Estado, mas defendeu maior transparência, eficiência e produtividade antes da ampliação dos repasses. 


Segundo ele, o Governo do Estado destinou R$ 149 milhões à instituição em 2024 e R$ 190 milhões até agosto de 2026. “Quero ver o que acontece lá dentro e quero aumento de produtividade para aumentar os recursos. Essa negociação está em andamento. Quem precisa responder pelas questões da Santa Casa é a própria Santa Casa”, afirmou.

O governador tratou da regionalização da saúde e apontou Corumbá e Ladário como a região que ainda demanda maior suporte de média e alta complexidade. Riedel destacou o financiamento estadual de 45 hospitais e afirmou que já foi dada ordem de serviço para a construção do Hospital Regional de Corumbá, o quinto da rede estadual.

Já ao Correio do Estado, Riedel descartou, neste momento, uma nova intervenção na Santa Casa e defendeu a profissionalização da administração. “Não acho que a intervenção seja a solução. Acho que a solução é a profissionalização da gestão, e isso precisa partir de dentro da Santa Casa. Agora, quem precisa decidir é o Conselho de Administração”, declarou.

 
O governador também citou um passivo de R$ 600 milhões e ponderou que uma eventual intervenção envolve questões jurídicas sobre a responsabilidade pela dívida.

Segurança pública
O SBT abordou o plano de ampliação do uso de tornozeleiras e também o alerta de aproximação por celular nas ocorrências de violência doméstica. O governador reconheceu que o feminicídio é um problema estrutural e falou de capacitação de servidores para reconhecerem situações de risco. “Precisamos criar cada vez mais consciência e estabelecer uma rede de proteção para que o caso não chegue à segurança pública. Essa rede de proteção é papel de todos. A nossa secretaria capacitou, em 47 municípios, mais de 20 mil servidores públicos para ficarem atentos e participarem dessa rede de proteção”.

Riedel disse ainda que a média é alta no Estado, pois é alta no país todo e Mato Grosso do Sul é a unidade da federação que mais tipifica homicídio contra mulheres.

“Quando uma possível vítima chega ao posto de saúde, ela dá sinais. A situação está difícil em casa, ela chega machucada ou, às vezes, vestida de uma maneira que não condiz com a normalidade dela. Você tem a violência financeira, a violência moral e a pressão sobre os parentes, até chegar à violência física e a um eventual feminicídio. É difícil tratar tudo isso em dois minutos, mas a rede precisa funcionar”.


Ao SBT-MS, Riedel afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher será incluído na grade escolar a partir de 2027, como parte de uma mudança que classificou como estrutural. O governador também citou a existência de Salas Lilás em 72 municípios e a construção de duas Casas da Mulher Brasileira, além de mudanças para acelerar o atendimento às vítimas. “Formamos policiais militares para atuarem como oficiais de Justiça. O Tribunal de Justiça autorizou isso no Estado para não haver dois ou três dias de demora na notificação do agressor. Estamos inovando dentro do sistema para oferecer uma resposta rápida”, afirmou.

A Crítica abordou os conflitos por terras envolvendo produtores rurais e povos indígenas. Riedel defendeu que a solução não deve ficar restrita ao Judiciário e apontou a compra de propriedades como uma alternativa já adotada no Estado. “Depois de uma discussão judicial de 30 anos e de um processo de amadurecimento, a área foi comprada e entregue à comunidade indígena”, disse. O governador acrescentou que pretende ampliar ações de educação, saúde e infraestrutura dentro das comunidades indígenas.

Desenvolvimento econômico, tecnologia e inovação

Sobre os caminhos para manter o crescimento de Mato Grosso do Sul diante das mudanças trazidas pela reforma tributária, o Campo Grande News abordou os setores que devem receber prioridade. Riedel apontou segurança alimentar, energia renovável e tecnologia, além da agregação de valor à produção estadual. “Não quero parar na fábrica de celulose. Quero a fábrica de papel, de papelão, de tissue, a distribuição, a rede logística e a Rota Bioceânica funcionando, levando para fora do país o produto acabado”, afirmou.

 O governador também citou a instalação de um data center abastecido por energia de biomassa em Ivinhema. “As coisas se conectam a partir do momento em que você direciona os investimentos para temas corretos e nos quais temos alta competitividade”, declarou.

Sobre a situação dos pequenos produtores e agricultores familiares. Riedel apontou infraestrutura, assistência técnica, diversificação e agroindustrialização como prioridades. “O pequeno produtor e o agricultor familiar precisam ter acesso à infraestrutura, que é uma das coisas mais difíceis, e à assistência técnica de qualidade. Eles precisam ser competitivos”, disse. Como exemplo, citou a discussão para instalar uma pequena fábrica de mandioca em um assentamento. “A agroindustrialização é outro eixo importante. Ontem à noite, eu estava discutindo com um grupo de pequenos produtores a instalação de uma pequena fábrica de mandioca no assentamento deles para produzir farinha e outros produtos específicos para o mercado local.”

Já o JD1 Notícias tratou da proposta de atrair pelo menos dois novos centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação até 2030. Riedel afirmou que os investimentos em ciência e tecnologia buscam fortalecer a estrutura de pesquisa estadual. “Por meio dos investimentos em ciência e tecnologia, estamos conseguindo fortalecer muito a nossa rede de mestres, doutores e pós-doutores. Temos uma rede de pesquisa muito sólida”, declarou.

Segundo o governador, a estratégia envolve instituições públicas e privadas e pode contemplar diferentes setores tecnológicos. “Quando falamos em centros de pesquisa, estamos falando de atrair instituições públicas ou privadas para estimular determinadas áreas”, explicou. Riedel citou ainda o hidrogênio verde como exemplo: “No hidrogênio verde, por exemplo, a Universidade Federal está com um grande projeto. Cabe uma ação específica nessa linha aqui no Estado.”