A Santa Casa de Campo Grande perdeu oficialmente a habilitação para realizar radioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (28) e confirma que o hospital não oferece o tratamento desde 2019.

A radioterapia é usada no combate ao câncer, com radiação direcionada para destruir células cancerígenas. Em muitos casos, é fundamental para controlar a doença e aumentar as chances de cura.

A desabilitação foi solicitada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em agosto deste ano, e aprovada pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

Com a medida, os pacientes que precisam de radioterapia deverão ser encaminhados ao Hospital do Câncer Alfredo Abrão ou ao Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap).

A situação preocupa porque o tratamento exige sessões frequentes e qualquer demora pode comprometer o combate à doença. A retirada da habilitação não significa uma nova suspensão, já que o serviço estava parado havia sete anos.

A Santa Casa continuará habilitada para atender pacientes com doenças do sangue, por meio do serviço de hematologia.

Em nota ao JD1, o Hospital informou que tinha a habilitação UNACOM para radioterapia, mas não dispunha de um acelerador linear próprio para realizar os procedimentos.

"O hospital recebia R$ 250 mil para prestar o serviço, mas precisava pagar exatamente o mesmo valor a uma empresa externa para executá-lo. Essa dinâmica levava o hospital a funcionar apenas como intermediário, sem benefício financeiro direto. Devido aos custos administrativos e à falta de lucratividade, o hospital optou por sair do arranjo, pois a operação gerava prejuízo na prática. O governo do estado interveio, realizando um acordo para transferir os recursos destinados à radioterapia para o Hospital do Câncer".

Transplante renal

A Santa Casa de Campo Grande também deve deixar de contar com a atual equipe de Urologia e Transplante Renal a partir de 1º de novembro. O alerta levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a cobrar explicações sobre as medidas adotadas para garantir a continuidade dos atendimentos e evitar que pacientes fiquem desassistidos.

Em comunicado formal enviado ao hospital em 21 de outubro, a Uroclinic Serviços Médicos e a equipe de transplante renal informaram que encerrarão os serviços à meia-noite de 1º de novembro. A decisão, segundo os profissionais, ocorre devido a atrasos recorrentes no pagamento dos honorários médicos e à falta de contrato vigente com a instituição. A equipe afirma que manterá os atendimentos previstos na escala atual até as 23h59 de 31 de outubro.