Além da pressão já existente para quem vai prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), este ano os candidatos tiveram que lidar com a indecisão da data da prova. 

Na tarde desta quinta-feira (3), a Justiça negou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) , de adiar o Enem para todos os candidatos do país. Com a decisão da Justiça, a prova está mantida para este sábado (5) e domingo (6).

O professor de matemática e física do cursinho Refferencial Henrique Zakini explica que a dúvida da data preocupou todos. “Com essa indecisão da data todo mundo ficou mais ansioso”, ressalta. 

Em Mato Grosso do Sul, 139.637 pessoas se inscreveram para o Enem, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No Estado 41 municípios terão aplicação da prova. Apenas Paranaíba, cidade a 407 km de Campo Grande, está na lista com locais onde a prova será adiada. Com 488 inscritos para o Enem, a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) é uma das instituições ocupadas.

Para a estudante Lua Bianca Mendes de Lima Alves, de 16 anos, que curso o 3° ano do ensino médio e estudo na Escola Estadual Dona Consuelo Müller, a decisão do Ministério da Educação foi uma medida precipitada e mal tomada. “Eles poderiam simplesmente ter remanejado as pessoas que iriam fazer prova nesses locais para outras escolas. Essa decisão vai fazer com que eles gastem muito mais para fazer avaliações novas”, ressalta.

Indecisão

A indecisão com relação a data do Enem, começou após estudantes ocuparem de escolas de vários estados do país como protesto a proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos, a chamada PEC do Teto, e a Medida Provisória (MP) 746/2016, que pretende reformular o ensino médio. 

Com mais de 1 mil escolas ocupadas, segundo União Nacional dos Estudantes (UNE), o Ministério da Educação deu prazo até esta segunda-feira (31), para a desocupação das escolas que também são locais onde o Enem seria aplicado. 

Os estudantes chegaram a pedir a transferência dos locais de prova, a exemplo do que foi feito pelos Tribunais Regionais Eleitorais para o segundo turno da eleição no último domingo (30).

Sem a desocupação, em nota divulgada nesta terça-feira (1°), o Ministério da Educação (MEC) anunciou o adiamento para os 191.494 inscritos que fariam a prova nas escolas que estão ocupadas. Para estes candidatos, que representam aproximadamente 3% dos inscritos do país, a prova seria aplicada nos dias 3 e 4 de dezembro.

Em resposta a medida do MEC, o Ministério Público Federal (MPF) no Ceará pediu a suspensão da aplicação do Enem, que entende a medida gera “prejuízo à isonomia do exame, uma vez que seriam aplicadas provas e temas de redação diferentes para aqueles que forem fazer a prova apenas em dezembro”.

O Enem é o principal meio de ingresso nas universidades públicas do País desde 2009 e é utilizado para seleção de programas do Governo Federal como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).