Brasil
''Sou médico, não juiz'', diz Drauzio sobre presa trans que matou criança
Médico comentou polêmica criada após motivo da prisão da trans ter sido revelado na internet
O médico Drauzio Varella divulgou uma nota em suas redes sociais na qual afirma "ser médico e não juiz" em referência à detenta trans Suzy Oliveira, a quem abraçou durante uma reportagem veiculada no domingo passado pelo programa Fantástico, da TV Globo.
Suzy está presa na Penitenciária I José Parada Neto, em Guarulhos, na Grande São Paulo, por estupro e homicídio de um menino de 9 anos, ocorrido em 2010.
Na reportagem, Drauzio mostrou preconceito, abandono e a solidão de presas transexuais que estão alocadas em unidades prisionais masculinos.
Ao entrevistar Suzy, ela contou que estava no local há oito anos, sem receber visitas. "Muita solidão, não é minha filha", respondeu o médico, seguido de um abraço na detenta.
De acordo com o processo contra Suzy, ela estuprou e matou, por estrangulamento Fábio dos Santos Lemos. A criança foi encontrada morta a 20 metros de casa, com o corpo já em decomposição.
Drauzio foi alvo de críticas que questionavam se ele sabia do crime quando decidiu retratar a história da detenta.
A nota publicado pelo médico diz: "Há mais de 30 anos, frequento presídios, onde trato da saúde de detentos e detentas. Em todos os lugares em que pratico a Medicina, seja no meu consultório ou nas penitenciárias, não pergunto sobre o que meus pacientes possam ter feito de errado. Sigo essa conduta para que meu julgamento pessoal não me impeça de cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico. No meu trabalho na televisão, sigo os mesmos princípios. No caso da reportagem veiculada pelo Fantástico na semana passada (1º), não perguntei nada a respeito dos delitos cometidos pelas entrevistadas. Sou médico, não juiz".
Esclarecimento do dr. Drauzio sobre a reportagem produzida e veiculada pelo @showdavida, no último domingo, 01 de Março. pic.twitter.com/b02JQ5tW9d
— Portal Drauzio Varella (@drauziovarella) March 8, 2020