A adesão do Brasil ao Pix começa a gerar mudanças no cenário comercial, e seguindo o caminho de novas oportunidades, a Educbank passa a incluir as criptomoedas como meio de pagamento na rede de escolas parceiras da fintech.

O novo método de pagamento está disponível a partir de agora para 60 escolas privadas de educação básica. Na hora de realizar o pagamento, o sistema powered by Educbank vai disponibilizar a opção de gerar um QR Code para pagamento em Bitcoin ou Ethereum.

A fintech, que garante às escolas o acesso a capital e o recebimento integral de 100% das mensalidades mesmo em caso de atraso dos responsáveis financeiros, afirma que a nova opção de pagamento vai ao encontro do interesse das "famílias que cada vez são mais heterogêneas".

“Acreditamos que desta forma vamos facilitar e simplificar a relação dos gestores escolares com as famílias, garantindo que cada responsável financeiro dos estudantes tenha autonomia de escolher a forma ideal de manter os pagamentos em dia”, argumenta Danilo Costa, fundador do Educbank.

Em 2021, apenas 5% dos pagamentos nas escolas parceiras da fintech foram via Pix. De acordo com a Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) - entidade presente em 15 estados e no Distrito Federal - cada instituição de ensino tem autonomia para seu controle de recebimentos e não há um levantamento sobre o tema.

Apesar do cenário no meio escolar indicar um "apego" aos boletos, em detrimento de outras formas, Costa se mostra animado sobre a possibilidade das criptomoedas.

"Como ex-gestor de uma rede de escolas, sei que há muito por fazer para proporcionar inovações ao nosso setor e garantir que as escolas não fiquem de fora das vanguardas financeiras. Acreditamos que, para ampliar o acesso à educação de qualidade no Brasil, precisamos fornecer todas as ferramentas necessárias para que as escolas possam focar naquilo que é mais importante: educar e desenvolver pessoas", afirma.

Além das criptomoedas a fintech, fundada em 2020, também passa a oferecer a possibilidade de uso de cartão de crédito em sua rede.

Uso de criptomoedas no Brasil

Em outubro, o Banco Central comunicou ao mercado a previsão de que os brasileiros comprem R$ 23 bilhões em criptomoedas somente em 2021. O interesse pelos ativos como forma de investimento na B3, a Bolsa de Valores do Brasil, vem se consolidando. Dados relativos ao mês de outubro mostram que 479 mil investidores pessoa física escolheram a opção de custódia dos fundos de índices referenciados em criptomoedas (ou ETFs, na sigla em inglês). Em agosto, por exemplo, o total de investidores com posições nestas opções era de 159 mil.

Na análise de Luiza Brandão, advogada e diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), o uso de criptos para quitar serviços educacionais ou outros contratos também passa pelo entendimento sobre o que está por trás do processo.

"A segurança digital é uma engrenagem fundamental para novas gerações do consumo. O desenvolvimento dessas operações só é alcançado através da plena capacidade da criptografia. É ela que confere confidencialidade, integridade e autenticidade", cita.