Brasil
Abrasel bancou campanha nas redes para apoiar Alcolumbre contra PEC 6x1
Conteúdo patrocinado alcançou milhões de visualizações e defendeu o adiamento da proposta no Senado
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) gastou entre R$ 28,1 mil e R$ 33,2 mil para impulsionar conteúdo defendendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por travar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que proíbe a escala 6x1 (de seis dias de trabalho para um de folga) e adiar a votação que o governo tentava acelerar.
Foram 19 publicações no Instagram e Facebook favoráveis ao senador, que entrou em conflito com o governo Lula e o PT por segurar a PEC, criticada pelos empresários. As postagens divulgaram discursos de Alcolumbre, afirmaram que o povo estava com ele nessa decisão e defenderam que era preciso impedir uma tramitação acelerada para permitir um "debate amplo", que mostre os impactos para o país.
"A sinalização de que a PEC da escala 6x1 não deve ser votada neste momento é um gesto de liderança, responsabilidade e coragem do Senador Davi Alcolumbre. Mudanças dessa magnitude exigem debate amplo e atento aos impactos sobre a sociedade, especialmente os mais pobres", diz uma das postagens feitas pela entidade.
O conteúdo patrocinado chegou a algo entre 2,6 milhões e 3,2 milhões de impressões (métrica usada para quantificar o número de vezes que determinado material aparece na tela). A Meta, dona do Facebook e do Instagram, não divulga os valores exatos, apenas uma margem.
Parte das postagens foi direcionada exclusivamente ao Amapá, reduto eleitoral de Alcolumbre. A Abrasel gastou pelo menos R$ 9,2 mil para que as publicações chegassem a algo entre 880 mil e 1 milhão de impressões –número superior à população total do estado.
Um dos posts da Abrasel mostra uma foto de Alcolumbre com a frase: "o trabalhador está com você". Outros dois divulgam vídeos de discursos dele no Senado, em que prega um debate amplo mesmo para temas espinhosos. "Graças a Deus e aos senadores que me deram a condição de, em 2019, ser eleito presidente do Senado com 42 votos, desde este momento estou ouvindo dos senadores que eles não aguentam mais ser 'casa carimbadora' da Câmara dos Deputados", afirma ele no vídeo.
O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, se notabilizou como uma das vozes mais ativas entre os empresários contra a PEC 6x1 e chegou a se reunir com Alcolumbre algumas vezes. Ele diz que o gasto foi necessário para combater as milícias digitais da esquerda e a campanha de R$ 80 milhões do governo.
"Havia um governo irresponsavelmente gastando dinheiro público para vender uma promessa messiânica e mentirosa, de que todo mundo iria ganhar a mesma coisa e trabalhar menos. Foi um esforço solitário para combater isso", diz Solmucci ao Painel.
A entidade gastou entre R$ 261,6 mil e R$ 340,5 mil desde fevereiro para amplificar 299 publicações no Instagram e no Facebook contra a PEC 6x1 nas redes sociais. Com isso, o conteúdo causou entre 34,6 milhões e 35,9 milhões de impressões nessas duas redes sociais.
Solmucci afirma que a Abrasel ainda pagou por propaganda no Google. A empresa mostra 300 publicidades contratadas pela associação desde fevereiro, mas não divulga o custo ou alcance.
Segundo ele, a Abrasel também impulsionou conteúdo para defender os 38 senadores que assinaram a PEC do Trabalho Flexível, apresentada pela oposição para se contrapor a PEC 6x1 e permitir o pagamento por hora trabalhada.
"A gente identificou que era o único jeito de proteger essa votação. Parcela relevante da Câmara era contra a PEC 6x1, mas falava que tinha que votar a favor por causa dos ataques", afirma.
Parte dos posts patrocinados pela Abrasel divulga posições de outros políticos com críticas à proibição da escala 6x1, como do deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar pelo Empreendedorismo, do senador Rogério Marinho (PL-RN), autor de PEC do Trabalho Flexível, e do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que é cotado para ser o relator do projeto de lei que regulamentará a PEC 6x1.