A Polícia Federal vai investigar se os repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram usados apenas para financiar a obra ou se envolveram crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A investigação inclui o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), o publicitário Thiago Miranda e empresas ligadas a Vorcaro. A PF também vai analisar emendas parlamentares apresentadas por Flávio para verificar se alguma beneficiou o Banco Master.

Entre os principais elementos da apuração estão conversas divulgadas em maio deste ano, nas quais Flávio Bolsonaro solicita recursos a Vorcaro para custear o filme. Segundo a Polícia Federal, o objetivo é esclarecer a real destinação dos valores, que somam R$ 61 milhões, e verificar se parte do dinheiro foi utilizada para financiar outras atividades, incluindo despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, hipótese negada por ele.

Em transmissão ao vivo nesta quinta-feira (23), Flávio Bolsonaro afirmou que respeita o trabalho da Polícia Federal, mas classificou a investigação como perseguição. "A perseguição é desproporcional. Não adianta eu ficar me explicando ponto a ponto, porque não tem nada, mas cria-se essa atmosfera", declarou.

Eduardo Bolsonaro também nega qualquer irregularidade. Ao comentar o caso anteriormente, afirmou que "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos".