Ao andar pelas ruas do centro de Campo Grande, nesta quarta-feira (08), terceiro dia de reabertura da maioria das lojas, é possível notar um misto de pessoas e perceber que muitas caminham pela Rua 14 de Julho ou esperam em enormes filas, por necessidade.

Durante rápidos questionamentos é possível identificar os motivos que fizeram as pessoas desafiarem o coronavírus e se arriscarem em locais de aglomeração, e são sempre os mesmos, celulares e computadores não são muito bem vistos por pessoas de mais idade como forma de pagamento e existem as contas já vencidas que precisam ser negociadas de forma presencial.

Ao menos é isso que Gilson Batista, 51 anos, reflete ao nos conceder uma entrevista após horas esperando em uma fila com o único objetivo de pagar uma conta, “Medo a gente tem né, mas vou fazer o que, não tem jeito a conta está atrasada”.

Apesar da preocupação de contaminação pairar pelo ar e muitos se afirmarem preocupados com a pandemia, o centro da capital de Mato Grosso do Sul é diverso e não precisa procurar muito para encontrar os defensores da “gripezinha”.

Para o Anselmo Aquino, 64 anos, pertencente ao grupo de risco, “morrer todo mundo vai morrer um dia”, ao ser questionado se sentia medo do coronavírus, a resposta foi rápida e clara, “não, isso aí é a mesma coisa que uma gripe”, disse Anselmo após esperar 40 minutos na fila para realizar o pagamento de uma conta.

Não é difícil notar muitas pessoas andando pelas ruas e olhando para vitrines de lojas, mesmo assim as lojas permanecem vazias, uma vendedora que preferiu não se identificar afirmou que muitas pessoas passam, olham e até perguntam sobre um produto especifico, mas a compra ou entrada na loja dificilmente acontece.

Para entender melhor qual o motivo de tantas pessoas andando pelas ruas e lojas tão vazias nós perguntamos para alguns qual o motivo do “passeio” pelas ruas centrais da cidade, e então foi possível perceber que poucos passeavam, mas sim estavam se deslocando para irem embora, durante o trajeto, por que não umas olhadas nas vitrines?!

“Vim pra pagar conta, agora já estou indo embora”, disse Linda Silva, 17 anos, olhando várias vezes para o celular e contando os segundos para que o motorista de aplicativo chegasse a pudesse retirá-la do ambiente.