O machismo cultural e a desigualdade histórica são as principais raízes do aumento dos casos de feminicídio. O alerta foi feito pela promotora Clarissa Carlotto Torres, da 72ª Promotoria de Justiça da Casa da Mulher Brasileira, na abertura do Agosto Lilás.

Segundo a promotora, o feminicídio representa o último estágio de um ciclo contínuo de abusos que dura anos. Muitas vítimas convivem com a violência doméstica por décadas sem registrar ocorrência devido ao medo, isolamento social e dependência financeira.

Uma das maiores mudanças na legislação permitiu que o Estado processe o agressor por lesão corporal sem depender do perdão da vítima. A medida impede que os crimes fiquem impunes quando a mulher volta atrás por coação ou ameaças do parceiro.

O Estado de Mato Grosso do Sul já contabiliza mais de 50 tentativas de feminicídio apenas este ano. A representante do Ministério Público reforça que a concessão de Medida Protetiva de Urgência é fundamental para salvar vidas e prender agressores.

Alertas de comportamentos abusivos começam de forma sutil através de ciúmes excessivos, controle de roupas e senhas de celular. O isolamento de familiares e amigos também acena como sinal vermelho antes de agressões físicas mais graves.

A promotora destaca que a solução definitiva para erradicar o feminicídio está na educação de base nas escolas e famílias. O combate exige a desconstrução da ideia de posse do homem sobre a mulher e incentivo à autonomia feminina.