Na última semana o nível do rio Paraguai, baixou quase 20 centímetros, diminuindo cerca de 2 centímetros por dia, em Ladário.  Nesta época do ano, o nível normal esperado é de 4,15 metros, atualmente, por conta da seca, a estação registrou 84 centímetros no último dia 4.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), durante agosto o ritmo de descida dos níveis deve se intensificar, piorando a crise hídrica na região. As informações são do Clima Tempo.

O ano de 2021 já é o terceiro consecutivo em que o Pantanal não apresentou a habitual cheia. O prognóstico foi apresentado na Sala de Crise do Pantanal a convite da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA). Segundo o SGB-CPRM, o rio só esteve mais baixo do que agora em 4 ou 5 episódios durante a seca prolongada dos anos 1960 e 1970. Mas poucas estações de monitoramento existiam na região do Pantanal na época.

De acordo com o órgão do governo federal, a seca do rio Paraguai já é a pior de toda série histórica em Cáceres (MT), que data de 1967, e está entre as 10% piores da série histórica em Porto Murtinho (MS), que data de 1937. Em Ladário já é a quinta pior vazante desde 1901. Este é o segundo ano consecutivo que a bacia está nesta situação de vazante extrema

Nos municípios de Ladário e Porto Murtinho (MS), o nível do rio subiu consideravelmente em janeiro de 2021, mês em que as chuvas ficaram mais próximas do normal. Mas foi o único mês em que isso aconteceu: o rio voltou a receber chuvas abaixo da média e a recuperação foi lenta. A situação foi agravada pelo fim precoce da estação chuvosa, no início de abril. 

Prognóstico

A estação de Ladário deve atingir a mínima de -44 centímetros por volta de 20 de outubro, sendo que atingiu -32 centímetros no ano passado. O pesquisador Marcus Suassuna afirma que as previsões para o comportamento futuro do rio são feitas em comparação com a série histórica. Normalmente, quanto mais baixo o nível do rio em junho, mais cedo deve começar a estação chuvosa. "Com qualquer chuva que caia sobre a bacia, o rio terá uma resposta mais rápida", explica. No entanto, em 2020 a combinação foi a pior possível: uma seca severa com fim tardio.

Queimadas

Os focos de queimadas atingiram um pico no ano passado. Neste ano, o número de focos registrados é pequeno, mas o período em que eles costumam aumentar ainda não chegou. Na média de 2003 a 2019, o auge das queimadas é no trimestre de agosto, setembro e outubro. Espera-se que a temperatura do ar fique acima da média no próximo trimestre, principalmente sobre o Mato Grosso do Sul e o extremo-sul de Mato Grosso.