O Lar do Pequeno Assis, em Campo Grande, mantém um legado construído a partir de uma tragédia que marcou a história da Capital e segue, há mais de 20 anos, estruturado como instituição de acolhimento e transformação social.

A instituição nasceu após a morte de Lúdio Martins Coelho Filho, o Ludinho, em 1976, em um caso de sequestro seguido de homicídio durante uma tentativa de extorsão. O episódio mobilizou a família e a comunidade e deu início a um movimento de apoio social que, anos depois, se consolidou no trabalho desenvolvido atualmente.

Segundo o padre Luiz Gustavo, coordenador do projeto, a origem do projeto está diretamente ligada ao fato que marcou a cidade.“A ALPA, que a gente conhece como Lar do Pequeno Assis, surgiu através de uma tragédia que aconteceu com o Ludim, filho do Ludicoelho, e assim a família do Ludicoelho construiu essa obra social, entregando ela para a igreja. E agora já faz 50 anos dessa tragédia, e essa obra continua em pé”, afirmou.

O padre conta que não tem conhecimento exato do ano que a família criou a instituição, mas lembra que foi em 2010 que ganhou o nome Lar do Pequeno Assis, quando a instituição passou por um processo de reorganização conduzido pela Igreja e pela comunidade Irmãos de Assis.

Atualmente, a entidade soma mais de duas décadas de atuação sob o formato atual, sustentada por benfeitores, emendas parlamentares e parcerias com o poder público. “Através dessa tragédia surgiu muito amor, e esse amor continua sendo transmitido até os dias de hoje. Ele é sustentado por benfeitores e também por emendas parlamentares e editais com o poder público”, disse o padre.

Hoje, o Lar do Pequeno Assis atende cerca de 186 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. As atividades acontecem no contraturno escolar e também no período noturno, com oficinas esportivas, culturais e educacionais.

“Aqui nós trabalhamos com o contraturno escolar e nós temos até um terceiro turno, que é à noite, abrindo o lar do Pequeno Assis para a ginástica artística. E com isso nós atingimos 186 crianças. As oficinas vão desde o esporte, futsal, handebol, ginástica artística, cultura também, que é a música, o violão, o violino, além de oficinas de contação de histórias e o projeto Caminhos de Vida”, explicou.

Além do atendimento diário, a instituição realiza ações de arrecadação para manter suas atividades. A principal delas é a Festa Julina, marcada para os dias 10 e 11 de julho, na sede do Lar. “A festa Julina é o principal evento de arrecadação de recurso livre que nós temos aqui no Lar do Pequeno Assis. É através dessa festa que nós custeamos instrutores, educadores sociais, equipe de cozinha e limpeza”, afirmou.

O padre também destaca o impacto pessoal e social do trabalho desenvolvido na instituição. “A minha vocação sacerdotal nasceu aqui. Eu estava no refeitório aqui do Lar do Pequeno Assis e o padre perguntou quem quer ser padre? E eu levantei a mão”, contou.

Para ele, o impacto da instituição vai além dos números e se reflete na formação das crianças atendidas. “É imensurável o quanto uma criança é impactada pelo Lar do Pequeno Assis. É uma semente de amor e esperança que é plantada aqui e que produz efeitos que a gente não consegue mensurar”, completou.

Hoje, com mais de 20 anos de atuação sob o nome atual, o Lar do Pequeno Assis segue como referência em acolhimento e formação social em Campo Grande, mantendo viva uma história que nasceu da tragédia e se transformou em um legado de solidariedade e transformação social.