O garoto prodígio do direito brasileiro, Tiago Cedraz, não terá paz por algum tempo citado em delação na Operação Lava Jato. Em todas as frentes encontra problemas e cerco. Pela PF, pelo MP Federal, e agora pelo Congresso Nacional de onde é egresso o seu pai, Aroldo, ex-deputado federal pela Bahia e hoje presidente do Tribunal de Contas da União.
Esboça-se na oposição no Parlamento um tiro certeiro no gabinete da presidência do TCU, mas com o intuito de resvalar no Palácio do Planalto. Sim, os deputados, para queimar o PT e seu modus operandi, são capazes de atingir um dos seus. O ex-deputado Aroldo Cedraz.
O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) apresentou requerimento de informações ao TCU sobre os procedimentos abertos pela Corte administrativa a fim de apurar as denúncias de tráfico de influência envolvendo o ministro, pai, o advogado, filho, e o presidente da UTC preso pela PF, Ricardo Pessoa. O que se sabe, até o momento, é que Cedraz mor se tranca no gabinete, e Cedraz herdeiro se recolhe numa bela mansão do Lago Sul em Brasília, sede do seu escritório.
Mas o tiro de canhão parte do líder do PPS, Rubens Bueno. Ele propõe que a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, ‘com auxílio do Tribunal de Contas da União, realize auditoria em todos os atos, contratos e congêneres, assinados pelo Consórcio Una 3 (composto pelas empreiteiras Andrade Gutierres, Camargo Corrêa, Odebrecht e UTC) e a Eletrobras, ou qualquer de suas subsidiárias, relativos à construção da Usina Nuclear de Angra 3’. Não deixa de ser um pente-fino também na atuação do presidente do TCU, apontado como principal personagem oculto nessa relação entre Pessoa e o jovem advogado filho do ministro.

Para entender o rolo em que se meteram pai e filho da família Cedraz, é importante rememorar um episódio que ilustra como é tênue a linha que separa o Poder de supostos interesses privados. Em 2013, o então vice-presidente do TCU, Aroldo Cedraz, fez uma visita de cortesia à direção jurídica da usina Itaipu Binacional. Meses depois, Itaipu trocou seu escritório de advocacia: contratou o Cedraz & Tourinho Dantas, de Brasília – especula-se algo em torno de R$ 100 mil por mês. O senhor Aroldo assume a presidência do TCU com o escritório do filho defendendo causas da usina hidrelétrica. Em maio, depois de anos de discussão, sai acórdão no Tribunal sobre a permissão para que o TCU passe a fiscalizar também as contas de Itaipu, cujo advogado de defesa é filho do presidente da Corte.

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Sem barulho

Não houve a esperada repercussão midiática a exemplo da visita dos brasileiros mês passado. Sem barulho, uma comitiva de senadores espanhóis, convidados de partidos da oposição na Venezuela, visitaram Caracas de quarta-feira a ontem. Em nenhum momento foram barrados, ameaçados por populares. E respeitados até pelos governistas. Tampouco clima beligerante oficial.
Há algo mais entre os Governos da Venezuela e Brasil que precisa vir à tona.