Mondovino
Vinho e churrasco, uma dupla imbatível
Que tal uma nova perspectiva para o tradicional churrasco/mandioca, mistura tão nossa? Vamos de vinho? Ao invés da sua cerveja de sempre, que tal um bom vinho? Você vai se surpreender. Não estou sugerindo vinhos caríssimos ou algo complicado, não, nada disso, vamos com vinhos mais simples, do dia a dia, nada muito sofisticado para começar a provar e gostar.
Os vinhos, em especial os mais encorpados, dão a sensação a quem bebe de “limpar a boca”, digamos assim, ou seja, o seu paladar fica mais apurado para provar outro pedaço de carne. Esta é, com certeza, a bebida perfeita para acompanhar uma carne. Cuidado com a temperatura, já que servir o vinho muito frio o fará perder o sabor; se quente demais sentirá muito o álcool que o vinho tinto tem bastante. A temperatura ideal é entre 13 a 17 graus, deixá-lo refrescado quase gelado é o ideal. O vinho durante as refeições além de ser prazeroso, ajuda a digerir muito mais facilmente a comida.
É o que mostra um estudo alemão, publicado no jornal “Gol”, que relaciona a ingestão da bebida alcoólica com a aceleração do esvaziamento no estômago.
Os elementos contidos no vinho estimulam a liberação de ácido gástrico. Em sua maioria eles são produzidos durante o processo de fermentação e removidos durante a destilação.
A pesquisa afirma que a combinação vinho tinto e carne vermelha é perfeita. A proteína suaviza os taninos do vinho e o tinto ajuda a contrabalancear substâncias potencialmente prejudiciais, as gorduras oxidadas chamadas de MDA, liberadas quando a carne é ingerida. Uma porção de carne vermelha pode elevar essa gordura no organismo, mas ao ser combinada com uma taça de vinho, o aumento de MDA inibe a produção e facilita a digestão.
Segundo estudos, a digestão acompanhada da bebida descarrega uma quantidade maior de biles no início do intestino delgado. A bebida também favorece a digestão de carboidratos.
Qualquer combinação de vinho e comida tem que ser bem equilibrada, então seguem algumas sugestões de harmonização:
Carne suína – por ter sabor marcante e uma textura firme pede um vinho encorpado mas não tão pesado. Escolha um vinho da uva syrah chileno, por exemplo, ou australiano.
Cupim – conhecido tambem como agulha e outros nomes, sendo o pedaço maior e mais macio do dianteiro do boi, é uma carne relativamente magra, pede então um vinho mais jovem e bem frutado como um bom vinho da uva cabernet sauvignon argentino ou talvez chileno. Os vinhos brasileiros tambem vão bem, de boa acidez e muita fruta.
Costela de tira – tendo um pouco menos de carne e mais gordura pede um vinho mais, digamos, adistringente, um bom vinho de uva tannat uruguaio é a companhia perfeita para essa carne pois segura o sabor da carne e ainda corta um pouco da gordura com seus bons taninos.
Ponta de agulha ou costela minga – é considerada por muitos a melhor carne para churrasco e para assar na parrilla, é uma carne muito saborosa para churrasco. Nesta opção exagere nos vinhos mais incorpados como os da uva cabernet sauvignon, tannat, syrah, a amercana zinfandel... com qualquer destes vinhos fica ótimo.
Picanha – a nossa estrela. Nenhum churrasco é churrasco sem picanha. Uma carne de sabor único, textura média a firme, suculenta e boa gordura, pede um belo vinho argentino da uva mabec por ser intenso, rico em aromas e sabores e conter bom corpo e a acidez natural e essencial para este corte, mas você pode provar também com um bom vinho espanhol Rioja Crianza, por exemplo.
Bons vinhos a todos!
O REENCONTRO
Fernanda Barcellos
O reencontro é a taça de vinho em cima da mesa, é o perfume que nunca foi esquecido, os cheiros, desejos urgentes a serem saciados, gostos a serem degustados com sabor de saudade, é a mão quente que percorre o corpo, é aquela voz que há tempos você não escutava sussurrando no teu ouvido: “senti saudade”.