Mondovino
A elegância da uva merlot
Elegância é um termo muito subjetivo no mundo dos vinhos, mas eu acho que os vinhos feitos desta clássica uva francesa são quase sempre donos de uma elegância única.
Uva de cachos de tamanho médio, pele fina e boa produtividade, diz a lenda que seu nome é derivado do nome de um pássaro, o melro. Ela teria ganhado esse nome não só por sua tonalidade escura, de um preto azulado como o do pássaro, mas também por atrair uma grande quantidade dessas aves quando a colheita se aproximava.
Curiosamente, seu primeiro registro oficial é bastante recente para o mundo do vinho, em que existe, por exemplo, vinícolas com mais de mil anos de produção. Assim, 1784 é uma data recente, o registro foi feito na região de Bordeaux. Na Itália, ela só foi aparecer oficialmente em 1855, no Vêneto, onde é muito plantada até hoje.
A merlot é plantada em todas as regiões vinícolas do mundo, mas é uma uva bastante cultivada no Brasil, onde é conhecida como a mais bem-sucedida uva tinta da Serra Gaúcha. Para muitos produtores e técnicos ela deveria ser considerada a uva símbolo da Serra, já que sua precocidade é uma vantagem, pois ela consegue se desenvolver antes das fortes chuvas de verão, que sempre prejudicam a colheita, sendo colhida muitas vezes logo depois das uvas brancas. Isso lhe garante frescor e vivacidade, além de aromas mais frutados, muito atraentes nos tintos modernos, capaz de produzir vinhos macios, delicados e elegantes. Ela é também usada em blend com outras, como a cabernet sauvignon e syrah, em várias partes do mundo.
Os aromas dos bons vinhos de merlot são as ameixas negras, o cassis, as cerejas e, por vezes, o mentolado. E quando o vinho passa por um estágio em madeira, aparecem aromas de grãos de café, chocolate e um pouco de especiarias.
O aveludado na boca combinado com o frutado típico, os taninos leves e o álcool muitas vezes mais baixo são o que há de mais tradicional e apreciável nos bons merlots, que merecem ser bebidos um pouco mais jovens que os vinhos de outras castas clássicas francesas, para manter o frescor.
“Não plante outra árvore sem ter plantado primeiro uma videira.”
Alceu, poeta grego