Não posso mencionar minhas origens sem me reportar ao meu pai posto que não devo a ele apenas o leite da vida que me fez o que sou mas o exemplo de honradez e paciência e certo que para falar de um eminente homem precisaria certamente encontrar palavras,palavras que me faltariam pois palavras proferidas sem a existência das obras,são como semear no deserto.E nesse caminho de prosseguimento da vida já me exaltei,discuti, venci e fui vencido na defesa do que considero verdadeiro e real.
Entretanto, este artigo será diferente tenho certeza e pretendo nem parar para fazer alguma correção,pois quero ele solto e livre como tento ser. Acontece que quando me preparava para  escrever a minha crônica do Dia dos Pais li um e-mail que me chamou a atenção.Era de um leitor de tenra idade que informou apreciar a forma que eu tocava nos assuntos cotidianos e que havia lido uma crônica minha sobre o Dia dos Pais de ano anterior denominada “O presente que não abri”. Lembro que ela já foi publicada há pelo menos uns 10 anos mas não havia recebido um retorno tão efusivo quanto este em plena véspera de um dia anunciado.
O e-mail relatava que após ler aquela crônica  ele ficou por um bom tempo em prantos e começou a pensar muito em sua vida. Informou que ele tinha uma sensibilidade diferente de um adolescente  “normal” e que isso já acontecia desde tenra idade e que seu pai desde aquela idade o tratava com indiferença. – Poxa,meus tios e os vizinhos talvez eu até entendesse mas meu pai ! Ah esse eu achei que iria entender ( escreveu em um trecho do e-mails). E continuando seu desabafo dizia: E quanto mais amável eu era.mais ódio meu pai parecia sentir por mim. Reconsiderava as situações pela proteção e apoio incondicional da mãe.Mas uma certa vez ela embarcou para Portugal e ele ficou sem essa asa para se segurar.
Foi então – conta ele – que os dias dos pais começaram a passar em branco, as reuniões de pais começaram a ser um martírio pois não tinha o pai para assinar o boletim, as propagandas na televisão vendo pai e filho abraçados eram como uma faca cortando seus pulsos. E finaliza transmitindo muita comoção informando que neste dia dos pais ele já sabe que não poderá dar nenhum abraço ou sequer falar com seu pai, mesmo ele estando vivo e são.Continua na parte mais triste do e-mail confessando que seu pai já sabe que ele é homossexual e que uma das coisas que ele mais sente falta é justamente de um abraço e de alguém dizendo...”calma vai passar,ou vai ficar tudo bem”. Na última linha confessa pretender adotar um filho para ser o pai que ele não teve e criando sua própria família em seu próprio mundo.
Por isso não pude deixar de relatar esse assunto, um assunto que não podemos mais dizer que não existe ou que é apenas ficção. Eu particularmente começo a entender  a importância de ser pai e de se ter um pai para aconselhar e seguir o exemplo. Porque Pai é muito mais do que se pode expressar  nessas três letras tão simples. Ser Pai é ser um eterno torcedor dos filhos;é sofrer mais que o filho na hora da enfermidade;é chorar calado ao ouvir balbuciar nossa primeira leitura. Ou como aconteceu comigo desde fevereiro de 1992 aqui no Jornal de Domingo pois  tinha alguém para ler e comentar meus primeiros artigos publicados.Hoje estamos com 915 edições. Pena que perdi, meus melhores e mais críticos leitores que eram meu pai e meu padrinho. Hoje um artigo que escrevo chega a diversos países, mas chega sem a correção dos dois maiores lingüistas do século.Tiravam do bolso a morfologia e a sintaxe;e eu não existem substitutos com tamanho conhecimento da vida Por isso perdoem as falhas.Adianto que este texto pode ter erro gramatical mas está impregnado de sentimento pois levo um legado de emoção que derramo no papel e exponho aos seus olhos e assim procuro ser o arauto das famílias e independente de qualquer coisa que esteja acontecendo no lar, a regra é clara: Pais...amem seus filhos e, filhos amem seus pais;ele é o herói que transcende a alma. Esse é o meu segredo.