O trânsito seguro, ou seja, em viáveis condições para todos, é um DIREITO a ser disponibilizado. Entrementes,o que seria pois, um processo natural de se entender de repente passa por condições ininteligíveis e inobserváveis. Chegamos a um momento em que é extremamente necessário aprender a conduzir os veículos no trânsito com a mesma educação com que tratamos as pessoas as quais gostamos e buscar a todo custo proporcionar meios para a sociedade apresentar iniciativas direcionadas em valores como respeito, gentileza, cooperação, colaboração, tolerância, solidariedade, amizade, entre outros tão importantes ao trânsito seguro e harmônico.
O trânsito é o ambiente mais democrático que existe e é onde cada um deve mostrar respeito aos outros, sejam eles pedestres, ciclistas ou motoristas. Destarte quando tomamos conhecimento das estatísticas de acidentes de trânsito e do quanto os governos gastam com as vítimas nos conscientizamos de que é preciso fazer algo. O que se gasta hoje com os acidentes poderia ser muito bem aplicado na educação e na saúde.
Para corroborar essa afirmação com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil gasta, por ano, R$ 432,4 milhões em acidentes de trânsito. Desse valor, de acordo com o instituto, 42,8% se referem à perda de produção por morte ou invalidez, 28,8% a danos a veículos e 13,3% ao atendimento médico-hospitalar. Outros custos são os processos judiciais, congestionamentos, previdenciários, resgate e reabilitação das vitimas.
São dados para se escandalizar e peço: Escandalizem-se. Mas reajam,  façam alguma coisa. Engrossem fileiras entre aqueles que ainda não perderam a capacidade de indignar-se e lutar. Perfilem entre os que não perverteram as características básicas de seres humanos, que não se transformaram em homens... lobo dos homens. É mister  perscrutar pela nossa real identidade e enveredar pela tarefa de desencriptação de sentimentos que fervilham no interior do vulcão ou correm nos calmos rios subterrâneos de nossas capacidades imanentes aonde prevalecem os seres gregários,e onde se mantém vivos a chama da solidariedade.A civilização pressupõe a solidariedade, e em um segundo nível: a irmandade.
É isso que nos distingue da irracionalidade. E o que é a globalização, a sanha do mercado por lucro, a dominação impiedosa dos que tem mais contra os que tem menos? O que é a transformação do individualismo, da competição, dos horários escassos, da esperteza, da ascensão a qualquer preço. E esses aspectos refletem no trânsito em forma de embrutecimento, remetendo-nos a incultura, a grosseria, a rudeza, a brutalidade.
Precisamos humanizar nossas relações e vivenciar essa experiência. E este momento que vivenciamos reveste-se de singular importância para uma mudança de posicionamento quando se refere ao tema trânsito, constituindo-se num celeiro de desenvolvimento da cidadania ao contribuir, através de uma nova cultura, para que o trânsito se torne mais humano e, realmente, um exercício democrático e solidário, que se faz premente no atual contexto.

*Articulista e consultor educacional deste hebdomadário desde fevereiro de 1992