Rosildo Barcellos
Como dirigir nas chuvas de abril
Todos os motoristas devem ter cuidado na hora da chuva. A primeira regra é levar o carro para um lugar seguro assim que perceber o começo da tempestade. Em alagamentos, o limite para trafegar com segurança é quando o nível da água estiver chegando à metade da roda. Mais do que isso, desista.
Ligue sempre os faróis, mesmo que a chuva caia durante o dia. O início da chuva é o momento mais crítico. Seja uma simples garoa, seja um temporal, ela pode surpreender . A pista, assim que recebe o início da água da chuva, transforma-se em uma espécie de armadilha, graças à perigosa mistura de água, resíduos de óleo, combustível e sujeira.
Esta mistura gera um líquido extremamente escorregadio, que compromete em muito a aderência dos pneus ao solo. Também ocorre o choque térmico. Quando bate nos vidros quentes do carro, a água fria da chuva forma o chamado embaço que é perigoso, pois prejudica a visibilidade do motorista. Mesmo com os pneus e freios em bom estado a frenagem na chuva deve ser suave e progressiva.
Assim, quando frear não pressione bruscamente o pedal, mas pise suavemente. Se for atravessar poças, procure pontos de referência como outros carros e postes,pois a cidade está infestada de buracos.Depois de atravessar uma poça grande, ande em velocidade reduzida e pise algumas vezes de leve no freio para secar as lonas traseiras (conforme o caso). Outra questão importante são os pneumáticos... observe se estão em condições.
Outro grande perigo nos dias de chuva é o calço hidráulico, que danifica o motor e provoca prejuízos. Ele acontece quando a água passa pelo filtro de ar e chega ao cilindro. Se for impossível não esperar porque já está na água e se você perceber que o escapamento está submerso (o som muda, fica parecendo som de bolhas; jamais desacelere. Se tiver que parar o veículo pise na embreagem, tire a marcha e freie com cuidado. Tudo isso você deverá fazer o veículo acelerado.
Aguarde, sempre acelerando, o volume de água abaixar ; é a única forma de proteger o motor. Saia com condições de chuva forte se realmente for necessário, se puder adiar, retardar ou postergar... faça-o. Sabemos que depois da chuva forte é que as preocupações aumentam. O perigo dos “buracos “ também é grande para as motocicletas,a queda é quase certa,ou pelo menos um empeno ou amassamento do aro.
Nas áreas de risco, depois que água escoa é o momento de limpar o estrago que a chuva causou e ver o que foi perdido. No dia seguinte ao caos, é fácil também encontrar na cidade oficinas cheias e muito barro nas pistas que ficaram alagadas. O prejuízo para quem passa pelos pontos de alagamentos é alto e a insistência em atravessar a pista tomada pela água pode custar mais caro do que muitos imaginam. Esteja sempre atento aos alertas da Defesa Civil.
* Articulista e consultor educacional do Jornal de Domingo desde 1992