Rosildo Barcellos
Dessa boca já ouvi... eu te amo!
O amor deixou de ter presença constante em nossas vidas. E nesta saga do desamor buscamos nossos heróis. No filme que tem como trilha justamente uma das músicas que mais me emociona, Doroty, de O mágico de Oz, sai de seu ambiente real e parte para a
O amor deixou de ter presença constante em nossas vidas. E nesta saga do desamor buscamos nossos heróis. No filme que tem como trilha justamente uma das músicas que mais me emociona, Doroty, de O mágico de Oz, sai de seu ambiente real e parte para a terra do maravilhoso e do encantado...a terra de Oz. Lá o que há de diferente acontece, mas tudo com muita cor e muita magia e brilho. A criança, em primeiro plano, usa a brincadeira para interligar dois mundos e miscigenar o princípio do prazer em um instante de realidade.
Uma referência ímpar é o Pequeno Príncipe de Exupéry. Nas viagens do príncipe, os personagens que aparecem refletem um pouco o anseio de descoberta, até chegar a verdadeira descoberta de precisarmos cuidar da nossa “Rosa”. Tenho visto que as crianças brincam menos com processos reais que alimentem o imaginário posto que, estão mais ligadas a celulares e redes sociais. E em tempos de comunicação instantânea o bombardeio e agitação é premente. Imaginem por exemplo, as nossas crianças, mesmo que aparentemente alheias ao cenário político, mas com tantos escândalos não há como fugir da revolta e de se ter uma opinião sobre os assuntos que nos cercam.
Os resultados da mais recente edição do Inef ( Indicador do Alfabetismo Funcional) atestam que apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas como plenamente alfabetizadas e 38% dos brasileiros com formação superior tem nível insuficiente em leitura e escrita. Encontramos a Partícula de Deus –Bóson de Higgs, ou seja, o enigma da formação da matéria do universo está explicada mas ainda não conseguimos explicar e muito menos entender o amor.
Certamente que vivemos um momento aonde tudo é muito rápido e altamente centralizado na internet e isso prejudicará nossas esperanças de futuro, pois já há pessoas em dúvida se o mais importante é o autor ou sua obra. E isso tem provocado as situações extremas como o massacre do realengo que deixou 12 pessoas mortas no Rio de Janeiro, ou o caso de James Holmes, "O atirador de Aurora", nos EUA e tantos outros que possamos lembrar.
Quantas vezes deparamos com crianças quietinhas, aspecto pueril e com pouca atividade e pensamos que ela é calminha? Por vezes, na verdade, são indivíduos, ressentidos e altamente revoltados com as situações que presenciou ou vivencia, e que em um momento específico poderá “explodir”. Usa-se a bebida como combustível de tragédias. Precisamos de um futuro mais confiável. Amor, boas leituras e educação é trinômio fundamental. E ainda acredito que deve haver, algum lugar, aonde os sonhos que ousamos sonhar realmente se realizem e as bocas ainda que em murmúrio, voltem a dizer: Eu te amo !
*Articulista e consultor educacional do Jornal de Domingo há 1096 edições.