Rosildo Barcellos
O tempo é implacável, mas as lembranças são maleáveis!
Continuo acreditando que tudo é uma questão de tempo... o tempo que não temos mais mas que carrega o tempo que o tempo tem. E quando pensamos no tempo o que vem a mente é sempre a nossa infância e depois o que fizemos com nossa maiori
Continuo acreditando que tudo é uma questão de tempo... o tempo que não temos mais mas que carrega o tempo que o tempo tem. E quando pensamos no tempo o que vem a mente é sempre a nossa infância e depois o que fizemos com nossa maioridade. E assim o Estatuto da Criança e do Adolescente publicado em 16 de julho de 1990, retificado em 27/09/1990 e com um novo recheio oriundo da lei 12010/09 completou semana passada, 25 anos de existência A referida lei é considerada um marco na história dos Direitos Humanos brasileiros. Toda esta questão, desafia-nos ante o cenário das políticas públicas, para a sociedade brasileira e, por que não dizer, do mundo, na defesa de um novo tempo para nossas crianças e adolescentes, o que queremos e esperamos deles. Além de toda essa preocupação, ainda estamos enfrentando alguns desafios. O primeiro trata da exploração sexual, o segundo, da redução da maioridade penal no país de 18 para 16 anos e o terceiro traz em seu bojo a gravidez não planejada na adolescência, aliado a evasão escolar e a falta de educação na plenitude da palavra.
Não obstante o ECA ser fruto de intensa mobilização da
sociedade, ele se tornou norte para países e organismos internacionais no que
se deve percorrer para o pleno desenvolvimento da infância e adolescência. Evidentemente
que se levarmos em consideração o tempo, em mais duas décadas muito se fez, mas
o desafio da mudança de paradigmas continua a ser um óbice na construção da
integralidade na proteção dos sistemas de políticas públicas e sistemas
operacionais. É mister e concomitantemente imprescindível, a prática articulada
da prioridade absoluta nos poderes judiciário, legislativo com reflexos na
atividade policial, posto que, ainda existem muitos dilemas a serem
enfrentados. Um deles é o cumprimento da legislação em toda sua extensão. Há um
distanciamento entre a realidade e o previsto legalmente para gerar cidadania.
Há
necessida de premente de priorizar políticas e estratégicas definindo as linhas
de ações: que perpassam por uma mudança no panorama legal, além de uma
reordenação das Instituições Executoras das Medidas Protetivas e
Socioeducativas em conteúdo, método e gestão o que resultará evidentemente em
uma melhoria das formas de atenção direta, preparando os operadores da política
de atendimento para compreender, aceitar e praticar o paradigma que se
apresenta pueril.
Quando
por fim vislumbramos o cenário da dignidade das crianças e adolescentes do
Brasil, percebemos que precisamos urgentemente de uma ação corresponsável e a
qualificação para atuar na área da infância e adolescência e isso de uma forma
irrestrita aonde todos devem participar envolvendo governo, mundo empresarial e
organizações do "Terceiro Setor" ou seja: o vizinho que informa
alguma irregularidade e a ação imediata de alguém para intervir a tempo e o
mais rápido possível para que a criança, principalmente seja socorrida em sua
plenitude. Como queremos um futuro melhor se não cuidamos de nossas crianças?
A
interconexão das políticas é a necessidade do momento. É imperioso fazermos
converter nossas ações em, atuação para a garantia dos direitos da criança e do
adolescente e mais do que o fortalecimento de nossas próprias corporações e
entidades precisamos fortalecer a família, dar oportunidade de emprego e apoio
aos mais carentes e cada um de nós sermos multidisciplinares, multissetoriais e
multiprofissionais na defesa e garantia e promoção dos direitos dessas crianças
e adolescentes; para num segundo momento investir e ampliar a participação dos
mesmos como elemento transformador e finalmente começar a construir a nossa
história !
*Articulista
e consultor educacional do Jornal de Domingo desde fevereiro de 1992