Uma recente pesquisa publicada na premiada revista científica internacional Nature reacendeu a discussão sobre qual a relação entre dinheiro e felicidade¹. Os autores analisaram os resultados de 168 estudos, publicados entre 2005 e 2021, que contemplaram cerca de 150 países. E o resultado dessa grande revisão científica é que não existe um efeito estatisticamente relevante entre desigualdade econômica e bem-estar.
Aliás, após aplicarem os testes estatísticos, ficou constatado que existe um alto viés ideológico na afirmação de que a saúde mental está relacionada à desigualdade social. Isso quer dizer que precisamos voltar nossos olhos aos
fatores que realmente impactam em nossa saúde mental, os quais estão mais conectados a outra pergunta que a humanidade sempre se fez: Qual o propósito das nossas vidas?
Essa pergunta existencial ficou consolidada na logoterapia², por conta de autores renomados como o neuropsiquiatra austríaco Viktor Frankl e a psiquiatra Elisabeth Lukas que utilizaram essa mesma pergunta para o tratamento de desordens na saúde mental. A logoterapia é ainda mais clara ao afirmar que de fato não existe uma relação entre dinheiro e felicidade porque a felicidade nunca será um objetivo de vida, e se for buscada dessa maneira, gerará ansiedade e um esgotamento mental nas pessoas que nunca culminará com a almejada felicidade.
Para Frankl, a felicidade é como uma borboleta, ou seja, quanto mais a caçamos, mais ela escapa. Porém, se cultivarmos o nosso jardim, as borboletas sempre nos visitarão. E o que seria esse jardim? Muito simples! Nós
cultivamos nosso jardim ao buscarmos compreender o nosso sentido de existência e ao nos dedicarmos a algo maior do que nós mesmos: seja na família, no trabalho ou na sociedade. Por exemplo, quem é pai ou mãe e entende que existe um propósito maior na participação da educação do próprio filho será brindado com inúmeros momentos felizes, que serão eternos, como assistir ao vivo aos primeiros e pequenos passos, ouvir as primeiras palavras ou até mesmo ouvir seu filho dizer espontaneamente que te ama.
Ainda falando em dinheiro e felicidade, existe outro termo comumente malentendido na educação financeira que é a palavra prosperidade. Muitos pensam que prosperidade é ter muito dinheiro. Mas ao buscarmos compreender
a origem da palavra, que têm uma forte ligação com a cultura judaica, descobrimos que a palavra prosperidade tem várias escritas diferentes no hebraico, sendo as principais: tsaleach (frutificar, multiplicar), shala (estar em
paz consigo mesmo) e sakal (agir sabiamente). Ou seja, ser próspero é buscar conhecimento para se tornar mais sábio, estar em paz e almejar chegar em casa para reunir a família e conseguir multiplicar essas conquistas, ao longo do tempo, beneficiando outras pessoas.
Por fim, a pesquisa publicada na revista Nature serviu para reafirmar verdades que já havíamos descoberto ao longo do tempo como sociedade, mas que acabamos perdendo com o excesso de informações no mundo pós-moderno.
Aproveite para rever seus conceitos sobre felicidade, dê importância às pessoas ao invés de objetos, e não deixe que o dinheiro seja seu objetivo principal de vida porque ele é apenas uma ferramenta para conseguirmos realizar trocas comerciais de objetos e serviços. E lembre-se do que os nossos avós sempre nos alertaram: “Dinheiro compra pão, mas não compra gratidão”.
Claudio Ramos³
¹https://www.researchgate.net/publication/398004362_No_meta-analytical_effect_of_economic_inequality_on_wellbeing_or_mental_health
²A Logoterapia é uma abordagem psicoterapêutica focada em ajudar o indivíduo a encontrar sentido na vida, considerada a principal força motivadora humana. Busca o propósito existencial, superando o vazio existencial através da liberdade de vontade e responsabilidade pessoal.
³Pai do Israel e da Débora, administrador por formação, apaixonado por educação financeira, casado com a Patrícia e investidor desde os 13 anos.
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