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Segunda no Azul

Claudio Ramos

Um papel, um lápis e um sonho!

06 fevereiro 2026 - 17h19

Você também se desespera todo início de ano por conta dos inúmeros compromissos financeiros como impostos, taxas de matrícula, seguro e o início das parcelas do cartão de crédito (referente às compras e viagens de final de ano)? Não se preocupe porque você não está sozinho nessa ressaca financeira.

A coisa mais comum é terminarmos o ano com uma motivação extra, por conta das famosas promessas de início de ano, porém, começamos o novo ano desmotivados já que a nossa realidade financeira dificilmente nos proporcionará o alcance desses sonhos. A não ser que encurtemos o caminho com aquele que é o principal vilão da vida financeira do brasileiro: o crédito fácil e o empréstimo financeiro.

E, infelizmente, esse caminho do empréstimo financeiro para começar o ano tem destruído muitas promessas de ano novo como: cuidar mais da saúde física e mental, viajar e até mesmo ter mais tempo com a família. E quando digo que o empréstimo financeiro pode sepultar nossos sonhos não é porque ele é um instrumento ruim para uma melhoria da qualidade de vida ou para novas conquistas como um carro novo ou uma casa maior. O principal problema é que a grande maioria das pessoas toma essa decisão sem entender os riscos os quais está se submetendo.

Então vamos rapidamente listar os dois principais mitos dos empréstimos e traçar um caminho realista para que o seu novo ano seja de fato ainda melhor do que ano anterior...

Mitos ao se contrair um empréstimo:

• A parcela cabe no meu bolso: Esse provavelmente seja o principal argumento para aqueles que contraem um empréstimo financeiro. Tal qual em uma análise intuitiva sobre qual roupa vamos usar no dia, fazemos um cálculo mental de que determinado valor da parcela do empréstimo é compatível com o salário. Mas o problema é que muito provavelmente não fazemos um monitoramento mensal das nossas despesas e o salário que de fato recebemos é menor do que imaginamos porque já temos outras dívidas contraídas. E se seguirmos esse roteiro, seremos engolidos pelo segundo grande mito.

• Os juros são baixos: O Brasil é um país muito singular e de fato não é para amadores. Ao mesmo tempo em que as melhores empresas para se tornar sócio e investir na bolsa de valores são as instituições bancárias, temos as maiores taxas de juros do planeta e isso é ruim para os investidores porque pode atrapalhar o crescimento da empresa, por conta da inadimplência. Só para se ter uma ideia, se você parcelar seu cartão de crédito porque acabou ficando sem dinheiro para pagar a fatura de R$2.000,00 em janeiro, no final do ano essa dívida terá se transformado em mais de R$5.000,00. Logo, a tendência é se descontrolar financeiramente e ficar refém de novos empréstimos para pagar os anteriores e assim sucessivamente. 

A reflexão que fica é a seguinte: Como me organizar nesse início de ano com esses inúmeros compromissos financeiros que tenho? Obviamente, não existe resposta fácil para problemas difíceis. Mas, o caminho que mais tem dado certo ao longo da experiência que tenho observado durante minha jornada de educador financeiro são apenas dois passos: Tenha as informações corretas e saiba qual a sua prioridade.

1) Ter as informações corretas é muito simples. Basta você pegar um papel e anotar quais são as suas despesas mensais, incluindo as dívidas. A partir desse momento você terá uma real noção de quanto você ganha e o quanto você gasta. Se você fizer como a sabedoria japonesa e separar essas despesas por grupos (Kakebo¹) você conseguirá entender o que precisará fazer nos próximos 11 meses do ano para terminar o ano com a saúde mental em dia². Essa etapa não vai utilizar mais do que 2 ou 3 horas, mas, sua saúde e família agradecem! Fique 1 dia sem olhar o facebook, instagram e youtube e conseguirá o tempo necessário para concluir essa atividade.

2) Saber sua prioridade é o próximo passo e ele está relacionado ao que você quer da vida. Você quer ter uma saúde física melhor? Quer ter mais tempo com a sua família? Quer viajar mais? Entenda de fato qual a sua prioridade nesse ano, escolha uma e a partir daí você terá a motivação mais forte para entender que não tem problema nenhum em mudar o padrão de vida em alguma área da sua vida se for para atingir seu objetivo para esse ano.

Quem melhor do que você mesmo para decidir se vale mais a pena permanecer com o mesmo carro e passar mais tempo com os filhos ou se descontrolar financeiramente e precisar fazer uma renda extra no trabalho para adquirir o carro mais moderno do mercado? Ou então, quem melhor do que você e seu cônjuge para decidirem se vale mais a pena se mudarem para uma casa menor e mais econômica e usar o próprio dinheiro para realizarem viagens inesquecíveis nesse novo ano?

Provavelmente você precisou de 1 final de semana para executar esses dois passos. Contudo, perceba que você acabou de desenhar na sua mente um plano de ação financeira para esse novo ano. Parabéns! Sem precisar de técnicas mirabolantes, sem cursos de coach financeiro, e principalmente, sem deixar de fora as pessoas mais importantes na educação financeira: você e a sua família. Traduzindo para uma linguagem de mídia social: um papel, um lápis e um sonho.

Enfim, quando entendemos de fato o que é verdadeiramente importante para nós, fica mais fácil tomar decisões financeiras sábias e que estejam mais condizentes com a nossa vida, e sem dar tanta importância ao que os outros vão pensar.

Acredite na sua capacidade de descobrir os melhores caminhos financeiros para seguir nesse novo ano e deixe a educação financeira ser um professor que te mostre como a riqueza é muito mais do que acumular dinheiro e preencher planilhas. Bom início de ano e boa sorte nessa jornada de 2026!
Claudio Ramos³
 

¹ O Kakebo é um diário onde são anotadas despesas e metas financeiras. Essa ferramenta foi introduzida em 1904 por Hani Motoko, considerada a primeira jornalista mulher do Japão, em uma revista voltada às donas de casa. Seu objetivo era ajudar as famílias a administrar melhor o orçamento doméstico.

² Digo isso porque o endividamento financeiro já é a principal causa de divórcios, está diretamente relacionado a crises de ansiedade e com certeza vai minar toda a sua motivação em casa, no trabalho e na sociedade.

³Pai do Israel e da Débora, administrador por formação, apaixonado por educação financeira, casado com a Patrícia e investidor desde os 13 anos.

 

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