Os primeiros acordes já emocionam e a voz ecoa um grito sapucay que traz consigo uma marca registrada dos amantes do Chamamé. Os artistas que tocam esse gênero e os fãs tem muito o que comemorar com o título que Campo Grande recebeu de Capital Nacional do Chamamé.

Na última quinta-feira (17) uma decisão unanime do Senado Federal concedeu o título. O Projeto de Lei n° 4.528 foi criado pelo deputado Fábio Trad.

A equipe do JD1 TV conversou com o professor doutor em Música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Evandro Higa. Sua pesquisa de Mestrado e Doutorada teve como temática a música de fronteira.

“Esse título é muito importante para nós por que aponta uma intensa troca cultural e uma conexão latino-americana que se estabeleceu historicamente entre Mato Grosso do Sul, Paraguai e nordeste da Argentina”, explica.

Para Higa esse reconhecimento é a prova de uma conexão entre as três regiões. “Quando percebemos que há gêneros musicais transitando entre esses três espaços, percebemos que estamos todos historicamente e socialmente conectados. Isso por que nós temos não só o chamamé, mas a polca paraguaia e a guarânia como gêneros que conectam. Para nós é importante que reconheçam essas conexões e isso está realmente acontecendo a partir dessa legitimação dos gêneros musicais".

O músico David Junior chamamezeiro e bandoneonista de Campo Grande também falou de sua história com o chamamé como herança herdade do pai e do avô. “Eu acordava com música dentro de casa, ouvindo clássicos de Dino Rocha, Zé Corrêa e Maciel Corrêa. Eu me interessei pelo gênero ao ver o Helinho do Bandoneón tocar em um almoço dançante, ele foi meu maestro, meu professor”.

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