A artista visual Ágatha Francelino, que assina suas obras como Agatharte, transformou as memórias da mãe e da avó em inspiração para um trabalho sobre ancestralidade latino-americana. Acadêmica do oitavo semestre de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ela participa da exposição Tierra Zanta, realizada por acadêmicos do Centro Acadêmico de Artes Visuais (AAAAV), como parte da programação do Festival Sangue Latino.

A exposição reúne trabalhos que dialogam com identidade e ancestralidade latino-americana e permanece aberta ao público até este domingo (16), no Casarão Thomé, em Campo Grande.

Para a mostra, Ágatha apresenta o “MariaAna Políptico”, formado por quatro pequenas obras produzidas em aquarela sobre papel. O trabalho é uma homenagem à mãe, Ana Lúcia Francelino, e à avó, Maria Ana Francelino, e foi inspirado nas lembranças da infância vividas na casa da avó, de linhagem indígena.

Entre as referências presentes nas obras estão o fogão a lenha, a criação de galinhas, a natureza e as brincadeiras de rua. Para a artista, elementos simples do cotidiano podem carregar símbolos de identidade e pertencimento.

“A ideia das obras vem da ancestralidade que nossas casas latino-americanas carregaram e seus ícones que se tornam símbolos de identidade, que às vezes acabam passando despercebidos. Quando colocados como forma de arte, eles trazem essa proximidade”, explica a artista.

Além de representar memórias pessoais, o trabalho destaca a importância das mulheres na construção da identidade e da memória familiar. O formato de políptico também reforça a ideia de que as pessoas podem ser compreendidas como casas, espaços que habitamos, que nos formam e carregam histórias e ancestralidades.

A participação na exposição também representa, para Ágatha, uma oportunidade de transformar lembranças individuais em uma reflexão coletiva sobre identidade e cultura latino-americana, especialmente a partir do olhar sul-mato-grossense.

“Participar de uma exposição que traz essa forte intencionalidade de identidade e valor latino sul-mato-grossense aquece o coração. Nos faz entender que a arte ainda está viva e nos convida a refletir sobre questões que às vezes se tornam despercebidas, mas que dizem muito sobre quem somos”, afirma.

Em processo de formação artística, Agatharte também vê na experiência uma oportunidade de utilizar a arte como instrumento de reflexão e educação.

“Espero poder continuar a dizer sobre essas pautas importantes, seja em exposições ou até em forma de arte educadora”, completa.

A exposição Tierra Zanta segue aberta ao público até este domingo (16), no Casarão Thomé, em Campo Grande, dentro da programação do Festival Sangue Latino.