Cultura
Sem firulas, 'Império' destaca densidade de Aguinaldo Silva
Reinventar-se foi a solução que Aguinaldo Silva encontrou para continuar criando. E o autor encara Império, novela que estreia nesta segunda-feira (21), como uma espécie de ''terceira parte'' de sua trajetória na TV. Depois de passear com sucesso por tramas nordestinas de forte teor ''fantástico'' nos anos 1990 e ressurgir mais realista e tradicional nos anos 2000, Aguinaldo retorna ao horário das nove pretendendo ser ainda mais urbano e naturalista. Tudo, é claro, ao seu modo. "Império tem tudo o que esperam de uma novela minha: humor carregado de ironia, personagens fortes e grandes dramas. Mas o meu olhar é outro, menos exagerado e mais a favor do que é coerente para a história. É um reinício, um trabalho bem diferente de tudo que já fiz'', valoriza. Outro ponto que distancia o novo folhetim é a troca de direção. Sai Wolf Maya, responsável por êxitos como Senhora do Destino e Duas Caras, e entra Rogério Gomes, diretor mais identificado com o horário das seis e que faz sua estreia no horário das nove. ''Gosto do tratamento mais denso com que Rogério conduz a obra. Minha novela precisava desse carga a mais de verdade'', acredita o autor.
O primeiro passo para a nova dupla foi encontrar afinidade entre texto e estética, além de coesão na hora de escolher o elenco, que foi gerado a partir da escalação de Alexandre Nero como protagonista da história. Em Império, o ator é o comendador José Alfredo. De origem pobre, nos anos 1980, o jovem se utilizou de meios escusos para fazer dinheiro no garimpo. Após muitas falcatruas e alguns desafetos, ressurge como um empresário famoso e excêntrico, comerciante de pedras preciosas e dono da rede de joalherias Império. Casado com Maria Marta, aristocrata falida interpretada por Lília Cabral, ele é pai de três filhos: João Pedro, Maria Clara e João Lucas, papéis de Caio Blat, Andréia Horta e Daniel Rocha. ''O lar dessa família é totalmente desfeito. O casamento inexiste, a mulher só quer saber de gastar. E os filhos só pensam em herança. O poder que José Alfredo sempre quis ter é o que causa sua infelicidade'', analisa Nero.
Para as cenas da primeira fase da história, que dura cerca de quatro capítulos e é ambientada entre garimpos e Santa Teresa, bairro central do Rio de Janeiro, a equipe de Império passeou pela capital carioca, subiu a Serra Fluminense para chegar a Petrópolis e captou muitos takes nas cachoeiras e montanhas de Carrancas, interior de Minas Gerais. Para registrar o momento em que o protagonista começa a ficar rico, uma versão reduzida da equipe foi gravar em Genebra, na Suíça. ''Passamos muito tempo procurando locações que se adequassem bem ao clima da trama. Idealizar o jeito com que essa história será apresentada é uma das partes mais gostosas do trabalho'', entrega Rogério Gomes. Quando a novela chegar ao tempo presente, é o bairro de Santa Teresa que servirá de cenário para boa parte das cenas. É lá que mora a camelô Cristina, batalhadora mocinha da história, papel de Leandra Leal. ''Como qualquer mocinha de novela, minha personagem terá amores e dissabores. É impossível fugir disso, mas dentro do universo da mocinha, Cristina tem suas complexidades. Descobrir que é filha bastarda do José Alfredo é o ponto de partida'', ressalta Leandra.
Império passeia por dois universos distintos: o camelódromo e a cadeia de joalherias. Prato cheio para as equipes de cenografia, direção de arte e caracterização da novela. No geral, todos os personagens recorrem a maquiagem e figurinos sem grandes ousadias, bem ao gosto do atual naturalismo do autor. A não ser o protagonista, que, em uma espécie de misterioso luto eterno, só se veste de preto. ''É algo que tem a ver com o passado do personagem'', despista a experiente figurinista Helena Gastal. Como inúmeras joias estarão no centro da ação da trama, uma extensa pesquisa foi feita durante o período de pré-produção da novela para buscar inspirações e criar peças exclusivas. Só para o acervo da joalheria Império, por exemplo, foram criadas mais de 200 peças. O processo impressionou Andréia Horta, que aproveitou a pesquisa da produção para se infiltrar na profissão de sua personagem, uma designer de joias. ''São detalhes, que vão desde como se segura o monóculo ao processo de composição de cada traço da joia. É luxo só'', empolga-se a atriz.
A novela Império estreia na Globo hoje (21).
Tudo liberado
Relações familiares são a base de qualquer obra folhetinesca. E em Império, o viés proposto por Aguinaldo Silva para a temática é o desunião e a busca pelo poder no seio familiar. ''Briga por dinheiro ou por status causam desavenças absurdas. Irmão, primos, tios, marido ou mulher, pai e mãe, todo mundo é rival, oponente. Vários núcleos retratam essas características'', resume o autor. Além das disputas do núcleo principal, capitaneado por José Alfredo. Outras famílias irão abusar de seus elos mais frágeis, como a inocente Maria Ísis, de Marina Ruy Barbosa. A jovem amante do protagonista é usada pelos pais, que usufruem da maior parte da mesada oferecida pelo Comendador. Em outro ponto da história, é da inveja da irmã, Eliane, de Malu Galli, por exemplo, que surge a principal vilã da trama, Cora, papel de Drica Moraes.
Famoso por suas vilãs sem qualquer freio moral e carregadas de comicidade, Aguinaldo entregou um dos postos de maior destaque de suas novelas para Drica. Atriz conhecida por sua verve mais ligada ao humor, ela assume o frio na barriga e se impressiona com o grau de insanidade da personagem, que, assim como fez com Eliane, se aproveitará de sua sobrinha, Cristina, de Leandra Leal. ''Nunca fiz uma personagem desse tipo. Cora sempre foi agressiva e bipolar. Ela quer o poder. Poder no sentido mais amplo, sobre as pessoas, sobre a cabeça de quem está ao seu redor'', explica Drica.
Depois do êxito de Crô, personagem de Marcelo Serrado em Fina Estampa (2011), Aguinaldo sustenta o núcleo gay de Império nas contradições do cerimonialista Cláudio, de José Mayer. Muito bem casado com a ex-miss Beatriz, de Suzy Rego, ele mantém um caso extraconjugal com o jovem ator Leonardo, de Klebber Toledo. ''Mais uma vez, Aguinaldo está me dando a chance de mudar um pouco o que faço na TV. Cláudio é cheio de nuances e muito verossímil. Existem muitos caras que, assim como ele, têm uma vida dupla'', analisa Mayer. Para desespero de Cláudio, um amigo dos tempos de colégio parece querer acabar com seu segredo. Ácido, exagerado e voraz, o colunista social Téo, de Paulo Betti, não vê a hora de tirar Cláudio do armário. ''Téo é venenoso e acha que todo mundo é gay. Meu personagem fica entre o cômico e o vilão. Ele adora uma fofoca'', conta Betti, aos risos.
O primeiro passo para a nova dupla foi encontrar afinidade entre texto e estética, além de coesão na hora de escolher o elenco, que foi gerado a partir da escalação de Alexandre Nero como protagonista da história. Em Império, o ator é o comendador José Alfredo. De origem pobre, nos anos 1980, o jovem se utilizou de meios escusos para fazer dinheiro no garimpo. Após muitas falcatruas e alguns desafetos, ressurge como um empresário famoso e excêntrico, comerciante de pedras preciosas e dono da rede de joalherias Império. Casado com Maria Marta, aristocrata falida interpretada por Lília Cabral, ele é pai de três filhos: João Pedro, Maria Clara e João Lucas, papéis de Caio Blat, Andréia Horta e Daniel Rocha. ''O lar dessa família é totalmente desfeito. O casamento inexiste, a mulher só quer saber de gastar. E os filhos só pensam em herança. O poder que José Alfredo sempre quis ter é o que causa sua infelicidade'', analisa Nero.
Para as cenas da primeira fase da história, que dura cerca de quatro capítulos e é ambientada entre garimpos e Santa Teresa, bairro central do Rio de Janeiro, a equipe de Império passeou pela capital carioca, subiu a Serra Fluminense para chegar a Petrópolis e captou muitos takes nas cachoeiras e montanhas de Carrancas, interior de Minas Gerais. Para registrar o momento em que o protagonista começa a ficar rico, uma versão reduzida da equipe foi gravar em Genebra, na Suíça. ''Passamos muito tempo procurando locações que se adequassem bem ao clima da trama. Idealizar o jeito com que essa história será apresentada é uma das partes mais gostosas do trabalho'', entrega Rogério Gomes. Quando a novela chegar ao tempo presente, é o bairro de Santa Teresa que servirá de cenário para boa parte das cenas. É lá que mora a camelô Cristina, batalhadora mocinha da história, papel de Leandra Leal. ''Como qualquer mocinha de novela, minha personagem terá amores e dissabores. É impossível fugir disso, mas dentro do universo da mocinha, Cristina tem suas complexidades. Descobrir que é filha bastarda do José Alfredo é o ponto de partida'', ressalta Leandra.
Império passeia por dois universos distintos: o camelódromo e a cadeia de joalherias. Prato cheio para as equipes de cenografia, direção de arte e caracterização da novela. No geral, todos os personagens recorrem a maquiagem e figurinos sem grandes ousadias, bem ao gosto do atual naturalismo do autor. A não ser o protagonista, que, em uma espécie de misterioso luto eterno, só se veste de preto. ''É algo que tem a ver com o passado do personagem'', despista a experiente figurinista Helena Gastal. Como inúmeras joias estarão no centro da ação da trama, uma extensa pesquisa foi feita durante o período de pré-produção da novela para buscar inspirações e criar peças exclusivas. Só para o acervo da joalheria Império, por exemplo, foram criadas mais de 200 peças. O processo impressionou Andréia Horta, que aproveitou a pesquisa da produção para se infiltrar na profissão de sua personagem, uma designer de joias. ''São detalhes, que vão desde como se segura o monóculo ao processo de composição de cada traço da joia. É luxo só'', empolga-se a atriz.
A novela Império estreia na Globo hoje (21).
Tudo liberado
Relações familiares são a base de qualquer obra folhetinesca. E em Império, o viés proposto por Aguinaldo Silva para a temática é o desunião e a busca pelo poder no seio familiar. ''Briga por dinheiro ou por status causam desavenças absurdas. Irmão, primos, tios, marido ou mulher, pai e mãe, todo mundo é rival, oponente. Vários núcleos retratam essas características'', resume o autor. Além das disputas do núcleo principal, capitaneado por José Alfredo. Outras famílias irão abusar de seus elos mais frágeis, como a inocente Maria Ísis, de Marina Ruy Barbosa. A jovem amante do protagonista é usada pelos pais, que usufruem da maior parte da mesada oferecida pelo Comendador. Em outro ponto da história, é da inveja da irmã, Eliane, de Malu Galli, por exemplo, que surge a principal vilã da trama, Cora, papel de Drica Moraes.
Famoso por suas vilãs sem qualquer freio moral e carregadas de comicidade, Aguinaldo entregou um dos postos de maior destaque de suas novelas para Drica. Atriz conhecida por sua verve mais ligada ao humor, ela assume o frio na barriga e se impressiona com o grau de insanidade da personagem, que, assim como fez com Eliane, se aproveitará de sua sobrinha, Cristina, de Leandra Leal. ''Nunca fiz uma personagem desse tipo. Cora sempre foi agressiva e bipolar. Ela quer o poder. Poder no sentido mais amplo, sobre as pessoas, sobre a cabeça de quem está ao seu redor'', explica Drica.
Depois do êxito de Crô, personagem de Marcelo Serrado em Fina Estampa (2011), Aguinaldo sustenta o núcleo gay de Império nas contradições do cerimonialista Cláudio, de José Mayer. Muito bem casado com a ex-miss Beatriz, de Suzy Rego, ele mantém um caso extraconjugal com o jovem ator Leonardo, de Klebber Toledo. ''Mais uma vez, Aguinaldo está me dando a chance de mudar um pouco o que faço na TV. Cláudio é cheio de nuances e muito verossímil. Existem muitos caras que, assim como ele, têm uma vida dupla'', analisa Mayer. Para desespero de Cláudio, um amigo dos tempos de colégio parece querer acabar com seu segredo. Ácido, exagerado e voraz, o colunista social Téo, de Paulo Betti, não vê a hora de tirar Cláudio do armário. ''Téo é venenoso e acha que todo mundo é gay. Meu personagem fica entre o cômico e o vilão. Ele adora uma fofoca'', conta Betti, aos risos.