Economia
Dólar cai a R$ 3,54 com expectativa de derrota do governo
De acordo com a contagem dos votos, pelo menos 35 dos 65 deputados são favoráveis ao afastamento da presidente
Via Terra
O dólar opera em queda nesta segunda-feira (11) diante da percepção dos agentes de mercado de que o governo terá sua primeira derrota oficial no processo de impeachment, na comissão especial que analisa o caso.
Em entrevista nesta manhã para a rádio Jovem Pan, o relator Jovair Arantes (PTB) afirmou que conta com a aprovação do impeachment em plenária da comissão especial que tem início nesta manhã. Os 25 líderes partidários terão direito a dez minutos de fala e o ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, terá direito a 40 minutos para defender a presidente.
Arantes avalia que a defesa não deve trazer fatos novos. Para o relator, o discurso do governo de que as chamadas “pedaladas fiscais” foram usadas em mandatos anteriores, sem prejuízo ao presidente em exercício não deve convencer os parlamentares. O início da votação propriamente dita está previsto para 18h.
Ainda na entrevista à rádio, o relator do impeachment disse que seu parecer favorável considerou irregularidades nas contas do governo em 2015 e que isso derrubaria a tese de que o governo só se utilizou do instrumento fiscal, agora colocado em xeque até 2014, antes das mudanças nas regras do TCU (Tribunal de Contas da União).
A derrota na comissão especial do impeachment é considerada como certa pelo governo. De acordo com a contagem dos votos, pelo menos 35 dos 65 deputados são favoráveis ao afastamento da presidente, número que seria suficiente para a aprovação do parecer de Jovair Arantes.
Mesmo já contando com a derrota, o placar da votação de hoje na comissão especial pode dar pistas e um direcionamento importante para a votação no plenário na Câmara, previsto para domingo (17).
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, na visão dos governistas, uma derrota muito expressiva hoje aumentaria a fraqueza e o isolamento político de Dilma, o que contaminaria a votação na Câmara.
Swap
A queda do dólar é fortalecida pela tendência nos mercados internacionais, onde a divisa perde para moedas emergentes e ligadas às commodities.
O Banco Central voltou a interferir nos negócios domésticos com um leilão de swap cambial reverso – equivalente à compra futura de dólares –, mas a medida teve pouco efeito na tentativa de conter a desvalorização da moeda. Foram aceitas ofertas para 7.700 dos 20 mil contratos. A operação acontecerá entre 9h30 e 9h40 e o resultado será divulgado a partir de 9h50.
Neste contexto, o dólar à vista tinha queda de 1,12%, cotado a R$ 3,5491.